Viena, Áustria. Uma cidade que achei que a vida inteira só conheceria por guias de viagem agora estava aparecendo ali, na janela do trem, bonita como poucas.

Se Amsterdam foi a melhor cidade do primeiro Mochilão do Mude.nu, Viena foi sem dúvida a que mais surpreendeu. Na capital da Áustria está o lugar mais bonito que vi em toda Europa, contando todas as viagens que já fiz para lá.

Depois fiquei sabendo que a surpresa se devia mais à minha própria ignorância.

Viena foi considerada a melhor cidade do mundo para se viver em 2007, 2010 e 2011 pela pesquisa “Qualidade de Vida no Mundo”, da consultoria Mercer. Ainda hoje, a cidade natal de Freud aparece no topo de todas as listas de qualidade de vida.

Nenhum lugar do mundo que já visitei abriga, em tão poucos quilômetros quadrados, tantas construções suntuosas como os palácios de Viena. O centro histórico, inclusive, está Lista de Patrimônios Mundiais da UNESCO.

(Embora o lugar mais bonito de todos estivesse um pouco mais afastado. Falarei dele mais à frente).

Para fechar a conta, o céu estava limpo e o sol brilhante nos quatro dias que passamos lá (dizem que o inverno é bem rigoroso), o povo era extremamente bem educado e solícito para dar informações em inglês, e a bebida típica do local era Red Bull!

Pontos turísticos de Viena

Quase todos os pontos turísticos de Viena parecem estar ligados a três coisas: música clássica, famílias de imperadores e Igreja Católica.

Na cidade, apesar de haver os lugares mais modernos, você consegue se sentir um pouco como se estivesse vivendo em séculos passados. Eu quase comprei um fraque e uma cartola.

Para se ter ideia, ainda hoje são celebrados centena de bailes de gala todos os anos em antigos palácios e casarões da capital da Áustria.

Com uma vantagem: o metrô te leva para todo canto (provavelmente o melhor metrô em que já andei, por conta da capilaridade e da quantidade de trens) e você encontra estrutura de banheiros, bebedouros e mesmo internet wi-fi grátis espalhados pelas ruas.

Resumindo, para mim Viena fica à frente de cidades mais badaladas da Europa, como Milão ou Paris, sem ter aquela danação de turistas entupindo e enchendo de filas todo os cantos da cidade.

Guia de viagem Mude.nu em Viena

Apresentamos agora mais uma edição do Pequeno Guia de Viagem Mude.nu. Como é internacionalmente sabido, este Guia de Viagem é baseado puramente em subjetividades, sorte e o pouco tempo que passamos mochilando pela cidade.

O que, obviamente, não lhe tira nenhum mérito.

Dito isso, vamos começar pelo ponto turístico central de Viena: a Catedral de Santo Estevão.

Stephansdom, a Catedral de Santo Estevão

Viena Stephansdom

Símbolo da cidade, a Catedral de Santo Estevão (ou Stephansdom, no alemão local) é uma igreja gótica do século XIV que fica bem no centro de Viena que impressiona pelo tamanho de sua principal torre, com 140 metros de altura.

Este foi o primeiro ponto turístico que visitamos e, desde já, pudemos perceber o ar retrô que a cidade nos traria: em frente à catedral, você pode alugar charretes para fazer um city-cavalo-tour por Viena ou reservar assentos para assistir a um concerto de música clássica.

Na própria catedral estavam agendados alguns concertos, inclusive no topo da torre, porém não havia mais vagas para os dias em que estaríamos na cidade.

Mozarthaus, a casa de Mozart

Você viu o filme Amadeus e sabe que, diferentemente de Schubert ou Strauss, Mozart não nasceu em Viena, mas sim em Salzburg.

Foi na capital da Áustria, no entanto, que ele fez fama e fortuna, escrevendo a maioria das suas 600 composições.

O compositor viveu em vários apartamentos e casas pela cidade, mas só uma delas continua de pé, a que hoje é chamada Mozarthaus e que fica bem pertinho da Catedral de Santo Estevão.

O lugar virou um museu particular para a história de Mozart. Alguns dos cômodos são preservados da maneira como supostamente Mozart os havia decorado, enquanto outros foram transformados mesmo em galerias para exibir peças de roupa, instrumentos, partituras e alguns vídeos.

Para ser franco, eu esperava um pouco mais do museu, que acaba não fazendo jus à grandiosidade do compositor. Vale mais para quem é fã de música, especialmente de música clássica.

Palácio de Hofburg

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A pé mesmo dá para ir da Catedral de Santo Estevão ou da Mozarthaus até o Palácio de Hofburg, que foi durante séculos a sede da Dinastia dos Habsburgo, a família que governou a Áustria até o início da primeira guerra mundial.

Antes mesmo de chegar ao Palácio já dá para se impressionar com o Michaelertor, um dos portões de entrada do Palácio, em frente a uma praça.

São dezenas de atrações históricas e culturais quando você passa esse portão, infelizmente a maioria delas paga. Meio que na sorte, escolhemos ir ao Museu Sissi.

Elisabeth da Baviera, ou Sissi para os íntimos, foi uma imperatriz da Áustria, bastante carismática, que teve uma vida sofrida e foi assassinada por um anarquista que decidiu matar a primeira pessoa famosa que encontrasse na rua.

Tinha tudo para ser um museu interessantíssimo, certo?

Que nada. Foi uma bosta. O pior museu que já fui.

Tudo o que havia lá era a prataria da Sissi, os talheres, as roupas… parecia uma Tok&Stok do século XIX.

Foi tão mal que não gastamos nem 10 minutos lá dentro, mesmo tendo gasto 10 euros para cada um para entrar. Ficou registrada como a maior furada do mochilão.

Tomamos um Red Bull para afogar as mágoas e seguimos em frente rumo ao Palácio de Hofburg em si.

Na verdade, tivemos até dificuldade para identificar qual era, já que havia pelos menos quatro construções imponentes uma em frente da outra. Parece que cada imperador que assumia o trono construía uma casa maior para mostrar ao antecessor e ao povo que era mais poderoso.

Atualmente, o palácio abriga a sede do Governo Austríaco e mais:

  • Kaiserappartements, antigos aposentos dos imperadores
  • Hofmusikkapelle, a Capela do Palácio Real
  • Augustinerkiche, a Igreja dos Augustos
  • Biblioteca Nacional
  • Escola de Equitação
  • Schatzkammer, a Câmara do Tesouro Imperial
  • Museu de ciência natural

Eu falei que era grande, não? Infelizmente, dessa lista só a capela não tem entrada paga. Como havíamos dado um tiro n’água com o Museu Sissi, acabamos sem entrar em nenhuma delas mais.

Sem problemas, a vista de fora já é um espetáculo à parte.

Parlamento Austríaco

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Depois de um tempão nos jardins próximos ao Palácio, seguimos andando pela cidade e de repente parece que havíamos caído no meio de Roma:

Era o espetacular prédio do Parlamento Austríaco, que fica na Rathaus Platz.

Eu vou todo santo dia ao parlamento brasileiro, que fica em um dos prédios mais famosos e bonitos do Brasil, mas Niemeyer que me desculpe, o nosso fica até pequeno perto desse.

Museumquartier

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E eis que estávamos andando pelo muito bem cuidado jardim que fica entre os museus de História da Arte e o de História Natural quando chegamos a um quarteirão inteiro só de museus.

E, para dar uma quebrada no clima, museus de arte moderna, em prédios também modernos. Do lado de fora, alguns pufes-sofás, pessoas matando o calor dentro da fonte, lendo debaixo do sol.

A entrada do quarteirão de museus é um antigo estábulo dos imperadores. Hoje, em vez de cavalos, obras de arte povoam o lugar, que também abriga um monte de bares, cafés e estúdios de artistas independentes. São 60 mil metros quadrados de cultura pura.

Três grandes museus você encontra no Museumquartier:

  1. Leopold Museum: o mais tradicional, com obras do século 19 e de pintores austríacos. O destaque vai para os quadros de Klimt, incluindo o original do famoso “O Beijo”.
  2. MUMOK (Museum Moderner Kunst): a principal coleção de arte vienense do século 20 (incluindo Pop Art) está no MUMOK, que tem um prédio cuja arquitetura moderna destoa completamente do que vemos no restante da cidade.
  3. Kuthsthalle: arte contemporânea austríaca e internacional ficam no Kuthsthalle, que diferentemente dos demais foca em exposições temporárias.

Os museus não são baratos, mas você pode adquirir um passe só que vale para os três principais museus (chama-se MQ Kombi, mas você vai a pé mesmo).

Palácio Schönbrunn, o ponto alto da viagem

Quando achávamos que já havíamos visto de tudo em Viena, eis que quase despretensiosamente compramos ingressos para ver um concerto de música clássica.

Fomos informados que o concerto seria em uma sala próxima ao Palácio Schönbrunn, que era a residência de verão do imperador.

Pensamos: “Ok, residência de verão, deve ser tipo uma casa de praia menor do que o Palácio de Hofburg. Já vimos muitos palácios, agora estamos mais interessados na música”.

Eis que descemos do metrô, damos de cara com o Palácio Schönbrunn e… PUTAQUEPAREL!

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A frente do Palácio já é suntuosa, com um pátio imenso onde provavelmente aconteciam altas raves no século 18. Quem se dava bem, podia arrastar sua donzela para um dos 1.400 (mil e quatrocentos!) quartos do palácio.

Mas o segredo mesmo está por trás do Palácio: um grande jardim com uma espetacular fonte, que fica em um pequeno vale com o Palácio em uma ponta e a Gloriette na outra, um parque de diversões à esquerda e um zoológico (o mais antigo do mundo) à direita.

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Não resistimos e subimos a pé o pequeno vale para ver de perto a Gloriette, um Memorial à Guerra Justa que foi erguido no lugar onde originalmente deveria ter sido construído o prédio principal do palácio. Lá de cima, com o sol se pondo, dá para ver o Palácio e toda a cidade de Viena ao fundo.

Sem dúvida alguma, o lugar mais bonito que fomos em todo o Mochilão, nos cinco países pelos quais passamos. De longe.

Se você conhece o Palácio de Versalhes, na França, este aqui não fica nem um pouco atrás em termos de beleza. Na minha opinião, é até mais bonito.

viena-Schonbrunn-patio

Não por acaso, ficamos contemplando aquilo tudo por quase uma hora.

Infelizmente, as palavras que escrevo ou as fotografias que tirei não conseguem captar a beleza real e a sensação daquele local. Tem que ir para conferir. Asseguro que vale muito a pena.

Walmar Andrade

Criador do Mude.nu, Walmar Andrade é bacharel em Comunicação Social, com extensão em jornalismo on-line (UFPE), MBA em Planejamento, Gestão e Marketing Digital (FECAP-SP) e Master en Comunicación Empresarial (INSA-Barcelona). Escreve sobre comunicação e marketing digital no blog Fator W.

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1 Comentário

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  • Demos boas risadas com seus comentários prá lá de divertidos. Eu, meu marido e meu casal de filhos de 12 e 14 anos também estivemos na Europa em julho e realmente Viena nos conquistou. Aliás, dos dez países visitados a capital da Áustria foi a escolhida pelo meu marido para viver, se pudesse, um dia.