10 soluções de verdade para o trânsito

O trânsito tem sido um dos principais problemas para quem almeja qualidade de vida nas grandes cidades do Brasil. Apesar disso, praticamente nenhum governante enfrenta o problema com seriedade, oferecendo apenas soluções paliativas.

Tomemos como exemplo a cidade do Recife. O trânsito na capital pernambucana degradou-se a olhos vistos nos últimos anos. Neste 2011, a cidade praticamente parou graças a soma das chuvas com o excesso de carros nas ruas.

E o que o prefeito da cidade anunciou que faria? Limpeza das galerias, para reduzir alagamentos, e mais agentes de trânsito nas ruas. Só.

Ações enganadoras como essas apenas empurram o problema com a barriga, para que a população comece a se acostumar que é normal passar quatro horas do dia (cerca de 25% do tempo que você passa acordado) preso no carro ou no ônibus.

Vejamos agora 10 soluções de verdade, que um governante de coragem teria que tomar para resolver o problema do trânsito nas grandes cidades do país.

1. Transporte público decente

Vamos ser claros. O transporte público oferecido no Brasil é uma indecência.

Os ônibus não têm horário certo para passar, são caros, desconfortáveis e pouco integrados com outros modais de transporte. As linhas de metrô, quando existem, são poucas e sofrem dos mesmos problemas.

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Poucos, caros, desconfortáveis, atrasados e ineficientes

Não existe solução para o trânsito que não passe pela adequação do transporte público. Aqui vão algumas ideias:

  • Rigor nos horários: só dá para confiar em um transporte público que respeite os horários. As pessoas precisam ser pontuais para chegar ao trabalho, à escola e aos demais compromissos. Na cidade de Barcelona, cada parada de ônibus tem a lista completa das linhas que passam no local e os horários das mesmas. Em muitas, há um painel eletrônico simples que informa quanto tempo falta para o ônibus chegar até aquela parada. Há ainda um sistema de SMS em que você envia um torpedo do seu celular com a linha que você quer e a parada em que você está e recebe de volta o tempo que falta para o ônibus chegar.
  • Faixas exclusivas para ônibus: Não dá para os ônibus ficarem disputando espaço com tantos carros. Para uma solução real do trânsito, é mister que boa parte das ruas sejam dedicadas a eles. Aliás, se a prioridade é o transporte público, a maioria das ruas e avenidas deve ser dedicada aos ônibus e a minoria, aos carros (exceto, claro, em vias de tráfego muito local onde não passam ônibus).
  • Expansão e integração do metrô: O meio de transporte mais eficiente para as grandes cidades são as linhas subterrâneas de metrô. Ocorre que no Brasil a prioridade sempre são os carros, então o dinheiro público é todo utilizado em ruas, semáforos, agentes de trânsito, sinalização. Não há sobras nem interesse em investir no metrô. O resultado são poucos trens e quase nenhuma integração com outros modais.
  • Climatização e qualificação dos veículos: É difícil convencer alguém a deixar o seu carro para entrar em um ônibus lotado, quente, com cadeiras quebradas e tocando música brega nas alturas. Os ônibus precisam ser climatizados, precisam ter assentos alcochoados, precisam respeitar que as pessoas não são obrigadas a ter o mesmo gosto musical do motorista.
  • Equilíbrio entre oferta e demanda: A oferta de veículos precisa ser compatível com a demanda das linhas. É normal que algumas pessoas fiquem em pé, mas não é aceitável um ônibus trafegar com o triplo da capacidade do veículo. Qualquer carro particular que andasse com 15 pessoas em vez de 5 seria multado. As empresas de transporte teriam que reduzir a margem de lucro para ofertar mais ônibus de acordo com a quantidade de pessoas que andam nas linhas e o governo teria que multar as que não fazem isso, andando com ônibus superlotados.
  • Educação dos funcionários: Aparentemente, motoristas, cobradores e fiscais de ônibus são contratados e jogados dentro dos veículos. Não há nenhum treinamento para que essas pessoas atendam seus clientes com presteza e educação. Pelo contrário. Submetidos a jornadas longas e com baixos salários, motoristas e cobradores são muitas vezes ameaçadores para usuários que querem apenas uma informação.
  • Preço das passagens: Mesmo com veículos ruins e funcionários mal treinados, o preço das passagens é caro. Dependendo da distância, sai mais barato pagar o combustível do carro do que a duas passagens de ônibus. A conta precisa ser refeita, mesmo que seja necessário um subsídio maior do governo às empresas de transporte.

2. Pedágio urbano para carros

Quando você está sozinho no seu carro, em um engarrafamento, você não está preso no trânsito. Você é o trânsito.

Soluções reais para o trânsito são aquelas que retiram o excesso de carros das ruas e colocam as pessoas em transportes coletivos.

A cidade de Münster, na Alemanha, fez um estudo comparando o espaço ocupado por carros e ônibus.

Para transportar 72 pessoas, com uma média de 1,2 pessoas por veículo, seriam preciso 60 carros, ocupando 1.000 metros quadrados.

Para transportar a mesma quantidade de pessoas em um ônibus, o espaço ocupado é de 30 metros quadrados. Ou seja, quase 34 vezes menos espaço. Isso sem contar que os ônibus não precisam de estacionamentos, poluem menos e quebram menos quando a proporção é de 1 para 60.

A título de curiosidade, 72 pessoas em 72 bicicletas ocupam 90 metros quadrados, 11 vezes menos que os carros.

O pedágio urbano é uma taxa que atinge quem mais usa o veículo. No sistema atual, o dono de um carro paga diversas taxas (IPVA, seguro obrigatório, taxa dos bombeiros etc.). Nenhuma delas, entretanto, está ligada à intensidade de uso do automóvel.

Um carro de empresa que roda o dia todo no trânsito da cidade paga o mesmo, em taxas, que o carro de um aposentado que só sai de casa de carro nas quartas-feiras para jogar bocha no parque com os amigos.

É necessário haver um custo maior para quem quer dirigir em ruas mais congestionadas, para reduzir o trânsito nas áreas mais problemáticas e incentivar o motorista a usar o transporte público. Quem consome mais o bem público (a rua, os sinais, o guarda, a sinalização) tem que arcar mais com o custo de manutenção.

Londres adota essa ideia desde 2003. Qualquer carro que queira entrar no centro da cidade, tem que pagar pedágio. O resultado foi mais gente usando o transporte público e a solução para o problemas dos engarrafamentos no trânsito da cidade.

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Pedágio urbano no centro de Londres

Para implantar essa solução, é preciso duas coisas:

  1. Que o transporte público seja qualidade
  2. Que o governante tenha coragem, pois a princípio será uma medida bastante impopular

3. Priorização do transporte cicloviário

Todos sabem os benefícios do transporte por bicicleta. É mais barato, mais saudável, mais sustentável e, dependendo da distância, mais rápido.

Mas quantas cidades brasileiras realmente priorizam o transporte cicloviário? Nenhuma. Já cidades que conseguiram resolver o problema do trânsito, como Amsterdã e Copenhague, deram prioridade absoluta para as bicicletas.

As bicicletas são relegadas a segundo plano, precisam trafegar nas beiras das ruas e muitos ciclistas morrem em acidentes facilmente evitáveis.

Para implantar o transporte por bicicleta, o governante teria de criar:

  • Ciclovias: Pois não dá para as bicicletas disputarem espaço com veículos motorizados. As ciclovias precisam ser de verdade, e não essas pseudo-ciclovias que nada mais são do que uma faixa pintada no chão e que só funciona dia de domingo. Precisam ser caminhos para as áreas mais requisitadas da cidade, precisam ser separadas dos carros, precisam de manutenção.
  • Bicicletários: As bicicletas precisam ser estacionadas, precisam ser guardadas enquanto o dono está longe. Os bicicletários precisam estar em pontos estratégicos, bem localizados, e com alguma segurança para evitar o roubo de partes das bicicletas.
  • Banheiros públicos: Vivemos em um país quente. Muitas das pessoas que vão de bicicleta ao trabalho precisam tomar um banho ao chegar. O governo precisa criar banheiros públicos e criar algum incentivo para as empresas que mantenham bicicletários e banheiros com chuveiro para seus funcionários.
  • Campanhas educativas: Uma vez que a cidade esteja equipada, é preciso criar uma boa campanha educativa para incentivar as pessoas a usarem as bicicletas, para educar os motoristas a respeitarem os ciclistas e para incentivar as empresas a construírem banheiros e bicicletários.
  • Subsídios para bicicletas: Fábricas de carros recebem incentivos fiscais. Empresas de ônibus são subsidiadas. Por que então não subsidiar também as bicicletas? A magrela precisa ser acessível para ser ainda mais popularizada, principalmente porque será preciso muita reposição com o desgaste provocado pelo uso contínuo.

Em Barcelona e em Londres, existe um sistema de aluguel de bicicletas. A pessoa faz o cadastro, pega a bicicleta em um ponto e entrega em outro. Se a bicicleta sumir ou for danificada, o usuário é multado ou até mesmo excluído do sistema. Veja o vídeo que fiz sobre o esquema:

4. Rodízio de carros

O rodízio de carros, adotado por São Paulo com resultados razoáveis, é mais uma estratégia para fazer as pessoas deixarem o carro em casa e utilizarem o transporte público.

No Brasil, ele teria um papel fundametal caso o ponto 1 (adequação do transporte público coletivo) fosse cumprido.

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Com rodízio, São Paulo é assim. Imagine sem.

As pessoas são seres de hábitos. Mesmo que o transporte coletivo magicamente se tornasse eficiente, pontual, bem cuidado e barato, muitas pessoas continuariam utilizando seus carros, por puro hábito.

O rodízio, o pedágio urbano e outras ações devem fazer com que esse hábito seja quebrado. Uma vez que o motorista veja que é mais vantajoso ir de transporte coletivo do que no seu próprio carro, a tendência é utilizá-lo apenas em saídas pontuais.

5. Remoção de obstáculos

Quantas vezes você já não ficou parado atrás de um carro que esperava o portão de um edifício se abrir para que ele entrasse? Ou de um caminhão fazendo carga e descarga em pleno horário comercial?

Remover obstáculos desse tipo é atitude essencial para uma boa fluidez do trânsito. Eis algumas ideias:

  • Recuos obrigatórios em edifícios: As entradas de edifícios deveriam ser regulamentadas para que comportassem um carro antes do portão de acesso. Assim, o carro não ficaria atrapalhando o trânsito, mas também não entraria de qualquer maneira nos prédios.
  • Proibição de carga e descarga entre 7h e 20h: Mudanças, carros-pipa, abastecimento de supermercados, tudo o que coloque caminhões nas vias públicas no horário comercial deve ser proibido. A carga e descarga deve acontecer depois das 20h até às 7h do dia seguinte.
  • Buracos tapados: A quantidade de buracos nas ruas também faz com que o trânsito flua mais devagar. Quando o motorista vê o buraco, ele reduz a velocidade, ou tem que mudar de faixa para desviar. Quando não vê, corre-se o risco de furar um pneu ou quebrar o carro, que será mais um obstáculo na via.

6. Investimento em transportes alternativos

Cada cidade precisa pensar em meios de transporte alternativos que ajudem na locomoção das pessoas.

Em Salvador, o Elevador Lacerda transporta pessoas da parte baixa para a parte alta da cidade.

No Rio, há os famosos bondinhos, que têm função mais turística do que de transporte. Em Barcelona, existem teleféricos aproveitando o relevo acidentado de parte da cidade. Em outros pontos, o transporte é feito por meio de Tram, um veículo sobre trilhos que não é subterrâneo e aproveita canteiros e outras faixas por onde não passam carros, de forma rápida e sem tráfego.

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Tram em Barcelona

No Recife, há diversos rios cortando a cidade, mas não há nenhum sistema de transporte aquaviário. Bem diferente do que ocorre em Veneza, na Itália, onde há verdadeiras frotas de táxi naval.

É preciso abrir a cabeça para pensar em alternativas que não sejam carro ou ônibus, levando em consideração as características de cada cidade.

7. Central de Inteligência para o trânsito

Para fluir bem, o trânsito precisa de um sistema de inteligência. É preciso que haja câmeras nos principais pontos da cidade e operadores de tráfego realmente capacitados para coordenar sincronicidade de semáforos, para emitir avisos em painéis eletrônicos estrategicamente posicionados, para alimentar o Twitter (sim, milhares de motoristas usam o Twitter para saber por onde ir) etc.

8. Horários alternativos

Por que praticamente todas as empresas começam às 8h e largam às 12h, voltam às 14h e terminam às 18h? Nem todas elas precisam realmente seguir esse horário, que provoca grandes picos de congestionamentos, enquanto em outras horas do dia o tráfego fica livre.

Uma boa maneira de controlar isso seria o próprio governo alterar em uma hora para mais ou para menos os horários de funcionamentos flexíveis de suas repartições. As escolas, públicas e privadas, também poderiam ter horários alternativos. E empresas que pudessem flexibilizar também poderiam ser incentivadas pelo governo, por estarem indiretamente colaborando com um trânsito melhor.

9. Mais multas

Você leu certo. Estou defendendo que a indústria da multa seja ainda maior.

Penso que as pessoas reclamam da indústria da multa esperando algum tipo de flexibilização por parte dos agentes de trânsito. Os motoristas esperam que os agentes aceitem o tradicional “pode-e-não-pode” que Roberto Damatta magistralmente explicou como sendo característica dos brasileiros em “O Que Faz o Brasil, Brasil?”.

Os agentes deveriam ser mais rígidos. Multar quem fecha cruzamento, quem para em fila dupla, quem estaciona em local proibido “só por um minutinho”. Todas essas pessoas estão atrapalhando o trânsito e devem ser punidas para quem sejam educadas e cumprir rigorosamente as regras.

Nova Iorque já demonstrou que a política de tolerância zero surte efeito (embora tenha sido usada em outro tipo de problema). Acredito que o mesmo é válido por aqui.

Defendo também que haja leis mais rigorosas para que o dinheiro arrecadado com as multas seja diretamente aplicado nas soluções reais para o trânsito e que agentes que aceitem suborno sejam julgados e, se condenados, punidos de duas formas: administrativamente, devem receber pena de demissão do serviço público; penalmente, devem ser condenados a uma prestação alternativa de alguma forma ligada a melhoria do trânsito.

10. Diminuição do status do carro e da indústria automobilística

A última das soluções para o trânsito é diminuir o poder que o carro tem como um símbolo de status na nossa sociedade.

Há algum tempo, ter um carro na garagem era algo que diferenciava ricos de pobres. Depois, foi a época do “segundo carro”. As mesmas pessoas que aqui só andam de carro acham chique andar de metrô e bicicleta na Europa.

Hoje em dia, com inflação controlada e disponibilidade de crédito, vemos um absurdo de vendas de veículos no país. Não há mais motivo de o carro ser visto como símbolo de status. Não são as pessoas que estão erradas, é o transporte coletivo que é ruim demais no Brasil.

O governo, em vez de incentivar transporte coletivo e bicicletas, viu como uma das maneiras de escapar da crise de 2008 reduzir o imposto sobre produtos industrializados, beneficiando diretamente a venda de carros.

Somente em 2010, foram 3,320 milhões de veículos vendidos, um aumento de 10,6% frente às vendas registradas em 2009. Bom para a economia, péssimo para a qualidade de vida de boa parte da população.

Não há como resolver o problema do trânsito quando a frota cresce em um ritmo insano como esse. Não há como as cidades se expandirem nesse ritmo, não há como fazer obras viárias que acompanhem essa frequência.

A solução aqui é bem mais complicada, pois seria necessário reduzir o peso que a indústria automobilística tem no Brasil. Atualmente, o mercado automobilístico brasileiro representa cerca de 10% do PIB. Não dá para se destruir o que já temos, mas dá para deslocar o incentivo que é dado para que outras indústrias cresçam e assim reduzam o peso relativo que os automóveis representam na nossa economia.

Um governante também teria que ser bastante corajoso para reposicionar, através de campanha educativa e publicitária, quem anda de carro como o “errado”, enquanto o certo seria andar de transporte coletivo e deixar o carro apenas para deslocamentos pontuais.

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Walmar Andrade é jornalista e idealizador do Mude.nu junto com outros comparsas.

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70 comentários

  1. Jose de Holanda comentou em 23/05/2011 às 9:18

    Walmar, foi anunciado tb um plano de restruturação das vias da cidade. Na última sexta, foi assinada a documentação para início das obras da Via Mangue, que deve mudar o trânsito de toda Zona Sul (http://www.senadorhumberto.com.br/via-mangue-prefeitura-da-a-largada-para-a-construcao-da-principal-obra-viaria-do-recife/)! Acho que muitas das soluções propostas por você tb devem ser aplicadas, sem dúvida, mas vale a pena prestar atenção no que está sendo feito tb! Abraços de um leitor!

  2. Jonatan comentou em 23/05/2011 às 11:43

    Acompanho o blog semanalmente e sempre gostei das matérias publicadas.
    No entanto, desta vez eu discordo diamentralmente do post.

    A diminuição do trânsito e uso consciente dos veículos pode ser facilmente controlado através da “carona” (quantos veículos andam nas ruas com apenas 1 pessoa?). Os vizinhos que trabalham em lugares próximos podem oferecer carona aos demais, os amigos também, etc.

    O rodízio de veículos, fruto da histeria de alguns governantes, pune somente quem não tem muitos recursos. Quem possui $$ comprará 2 carros e colocará placas com final diferente para poder sair de carro todos os dias.

    Com o pedágio, a situação não se modifica. Somente os mais pobres deixarão de sair às ruas de carro – e, portanto, estarão sujeitos ao transporte público deficiente, sujo, etc.
    Além disso, o “pegádio” serve para obter $$ para melhorar as vias públicas e os serviços que dizem respeito. Em nenhuma hipótese pode ser usado como “taxa” para sair de veículos.

    As melhores saídas, portanto, são campanhas de conscientização para uso dos veículos particulares – caronas. A outra medida seria a renovação e modernização da frota de ônibus, com horários regulares; ampliação das linhas de metrô; incentivo do uso de bicicletas.

    Taxar o cidadão é sempre a pior medida.

    • Ricardo comentou em 24/05/2011 às 18:31

      Não tem nem comparação um veiculo que pode transportar no máximo 5 pessoas com outro que pode transportar 44 pessoas

      Se os onibus fossem pontuais e confortaveis nao teria problema nenhum em usá-los

      se tivesse transporte de qualidade para sair para o trabalho todos os dias, não teria sentido nenhum usar um carro particular para encher as ruas ainda mais.

      se você encarar como se tudo que está no post acontecer de fato, nem o rico e nem o pobre ia ter motivos para ficar usando o carro toda hora. e sim, se o rico ou o pobre andar com o carro sem necessidade poderia pagar a taxa sim. não achei nada demais.

  3. eduardo comentou em 23/05/2011 às 17:12

    Achei o post bastante polêmico, já que estamos tratando de Brasil, pois não acho de bom tom criarmos mais taxas do que já temos, ainda mais com a carga tributária que sustentamos. Porém, achei muito interessante as outras idéias, pois sempre fui contra a bicicleta como meio de transporte, já que trabalho de terno e gravata, como poderia ir à uma audiência molhado de suor?? Isso só seria possível com a instalação de banheiros públicos com chuveiros mesmo, nunca havia pensado nesta hipótese.
    Acho que uma boa solução também seria o direcionamento das principais avenidas no horário do pico, como em SP temos mais de uma grande avenida indo para cada região da cidade, poderíamos, por exemplo, direcionar uma avenida com todas as suas faixas no sentido do trânsito, e a outra avenida que vai para o mesmo lado continuaria funcionando nos dois sentidos, e invertemos isso no horário da volta do trabalho (quando o tráfego flui em sentido contrário), o que de certo modo já vem acontecendo nas chamadas “faixas reversíveis”, que neste caso deixariam de ser faixas para ser “avenidas reversíveis”.

    De fato, qualquer solução que ao menos ajude a diminuir o caos que se instala em SP e nas grandes cidades devido ao trânsito é bem vinda, mas reforço que no caso do Brasil temos que pensar bem quanto a criação de taxas e impostos, pois já pagamos impostos suficientes para que o poder público crie e aplique soluções, e pedágio no centro, só se o transporte público já estiver em boas condições e a preço justo, pois R$ 3,00 por uma passagem de ônibus é um absurdo.
    Abrçs.

  4. leandro comentou em 29/05/2011 às 9:42

    Outra maneira para melhorar o transito à longo prazo, seria aproximar o local de trabalho das residencias dos empregados, eu moro em São Paulo, em São Miguel Paulista, na extrema zona leste e meu trabalho é na Barra Funda, zona oeste. Demoro por volta de 1:30, 1:40 horas para chegar ao trabalho(quando não há imprevistos). Dependendo da sua área de atuação, as pessoas demoram 3 ou 4 horas para chegar ao trabalho, isso é um absurdo, uma pessoa que trabalha 9 horas por dia (8+1 de almoço), demoraria 17 horas para voltar para casa, é so fazer as contas. Saindo de casa às 5:00 da manhã, chegaria em casa às 22:00, contando 4 horas de trajeto. Dependendo do ramo, empresas poderiam se instalar proximas aos bairros residenciais, diminuindo o tempo gasto do seu trajeto diário, e, aliando isto as outras ideias do texto, como o incentivo ao transporte cicloviário e aos horários alternativos, serviria e muito para a diminuição do transito.

  5. Bruno comentou em 29/05/2011 às 13:20

    Parabens pela postagem, deverá ser muito util na aplicação de cidades pequenas, mas em são paulo, devemos copiar modelos como de Tokyo, Cidade Do México, Nova York, mas não de barcelona, que tem uma população menor que curitiba, acredito que antes de postar algo do genero deve-se fazer as comparações corretas!

    • Tacito Gueiros comentou em 01/06/2011 às 15:25

      Bem observado, Bruno. No entanto, acho que o critério deveria ser densidade demográfica. Por exemplo, Recife tem metade da área territorial de Porto Alegre, mas com 300mil habitantes a mais. E quando a montadora da Fiat vier pra cá oferecendo carros mais baratos pela ausência do frete (que passa dos mil Reais) a coisa vai ficar ainda pior…

    • Bruno comentou em 30/05/2011 às 13:24

      Isso é uma atitude preconceituosa, saiba que os pobres são que movem a economia do país, que tal cobrar IPVA por Km rodado ;) …modelo de cidades grandes ao redor do mundo que tem problema com congestionamento.

  6. Super Links comentou em 29/05/2011 às 20:27

    Parabéns pela postagem, como sempre é um excelente artigo. A Internet no Brasil realmente precisa de postagens de qualidade como estas que você está nos oferecendo. Gostaria de lembrar também um outro ótimo agregador de conteúdos que vem se destacando muito, que é o Super Links:
    http://www.superlinks.blog.br

    Nele todos podem divulgar seus links gratuitamente e receber centenas de visitas diarias.

  7. Tacito Gueiros comentou em 01/06/2011 às 15:13

    O post é bem interessante, mas gostaria de fazer algumas ressalvas:

    1- O primeiríssimo dos tópicos deveria ser “reeducação da população”. Há problemas de infraestrutura, há problemas de suporlotação de carros, mas há uma enormidade de problemas referentes à falta de educação do motorista/motociclista brasileiro, que piora bastante aqui no Nordeste. Sou pernambucano e me envergonho da forma como se dirige aqui, mas minha vergonha seria ainda maior se eu fosse cearense. Para-se em qualquer lugar, não se usa a seta indicativa de mudança de direção, e se a velocidade máxima da via for de 60km/h, esqueça, ninguém andará a mais de 40. Em Recife ha (poucas) vias com faixas exclusivas para ônibus, mas de que adianta, se esses profissionais ocupam toda a via para efetuar ultrapassagens de outros ônibus que estão parados embarcando passageiros?

    2- A meu ver, a inexistência de estacionamentos gratuitos no Centro já é uma forma de pedágio urbano. As “zonas azuis” já consomem bastante dinheiro de quem trabalha no centro e precisa deixar o carro em vagas q vencem a cada 2h.

    3- A solução cicloviária é interessante, mas vc esquece apenas de mencionar que Recife vive uma situação de violência urbana pouco encontrada em outras capitais. Comparar com Londres e outras capitais européias chega ser risível! A opção seria viável e surgiria como uma consequência natural de vários outros investimentos. Em nenhum lugar do Brasil eu teria coragem de colocar minha mochila com notebook nas costas e ir trabalhar pedalando.

    4- Rodízio de carros é uma furada. Conheço várias famílias que simplesmente compraram outro carro pra burlar o rodízio.

    5- A proibição da carga e descarga já existe, inclusive em um horário mais elástico que vc mencionou, começanco as 6h. Em Recife é uma lei municipal. Voltamos ao item 1, pois vivemos no país onde ninguém conhece as leis (nem vc, pelo visto), então, ninguém as cumpre, ninguém fiscaliza sua aplicação. Isso sem contar com a cervejinha do fiscal…

    6- Transportes alternativos seriam uma idéia interessante. Mas a questão do transporte via fluvial carece de um estudo bastante amplo e investimentos um pouco mais altos, pois ninguem vai querer ficar encalhado no Capibaribe quando a maré baixar.

  8. Rubens Vaz comentou em 27/06/2011 às 10:31

    Walmar,tudo tem que começar pelo transporte público. li suas sugestões e vc propõe o que deve ser feito, mas eu quero te mostrar algo simples, de como deve ser feito que resolveria todas as questões de transporte público. Com o bilhete único ou metropolitano, as pessoas tem a possibilidade de trocar de onibus, trem ou metro sem pagar a mais por isso (ou quase… hehe). mas as linhas de onibus não foram adaptadas a esse sistema. não tem sentido um ônibus sair de lá de paralheireiros e ir até o centro de são paulo. além de longe, demora muito para ir e voltar. por isso temos poucas linhas que fazem um trajeto assim, ocasionando a demora, lotação e saco cheio dos usuários. a solução é que os onibus executem trechos menores, com microonibus circulares nos bairros, diminuindo o tempo de espera dos usuários. o usuário pega um microonibus, vai até algum terminal rapidamente e pega um onibus maior que viaja pelo corredor. nos corredores somente onibus grandes, que comportem muitos passageiros. o microonibus, por ser mais agil e percorrer pequenos trechos, somente limitados os bairros, podem passar com mais frequencia, diminuindo o tempo de espera. e, claro, interligar os onibus com as estações de trem e metrô. DEssa forma diminuimos o transito nos corredores que hoje é uma realidade, transformamos nosso sistema de transporte em algo realmente ágil, incentivamos o transporte porque nao ficaremos horas esperando pelo onibus e diluimos o transito pela cidade, tirando a sobrecarga das regioes centrais.

  9. BC comentou em 29/07/2011 às 0:34

    11. Mude-se de SP p/ o interior. Dê uma banana p/ as capitais. A vida é mais cara e pior… mas tem tanta propaganda dizendo q SP ou Rio são lindos, né? Quem consegue resistir…?
    12. Filie-se a alguma organização clandestina (socialista/comunista, de preferência) e tome o poder.

    Bixo, vc deu um monte de sugestões, eu reconheço q vc se esforçou e realmente fez um apanhado legal, de verdade. Mas, cara, sinceramente, vc tá tapando o sol c/ a peneira. O sistema gera, e vai sempre gerar, esse tipo de problema. É uma equação mto simples: não há riqueza p/ todo mundo. Fato. Ou a gente aprende a viver c/ menos, mto menos, ou os pólos de concentração de riqueza (tipo a Europa, tipo as capitais no Brasil) vão SEMPRE ter problemas graves (crime, moradia escrota, vida cara, poluição, trânsito…). Não q eu defenda o comunismo, só estava fazendo troça (pois seria trocar problemas X por problemas Y; sendo q X =~ 5,9 e Y =~ 6,1), mas esse capitalismo q a gente vive definitivamente tá errado. Eu sei, alguém vai argumentar q o paraíso na terra seria um “capitalismo light”, mas vc percebe o tamanho do esforço q seria alcançar esse “light”? Vc tá dando sugestões p/ a gente ter um trânsito “mais light” e o esforço é absurdo! A Europa teve esse problema, e resolveu. Agora é o Brasil q tem esse problema, e eu acredito, sim, q possa resolver. O próximo a ter esse problema será a Nigéria. Ou China, ou Índia; o problema é o mesmo, só está mudando de lugar. E vc acha q todo mundo vai conseguir resolver ou vc acha q, de tempos em tempos, vai eclodir uma crise financeira (vide 2008-atualmente) ou uma guerra?
    *
    Desculpa aí se estou achincalhando, mas este é o meu pto de vista. Respeito o seu e acho coerente e bom no curto prazo. Acontece q tb existe o longo prazo.

    • JOÃO CARLOS comentou em 04/11/2011 às 8:11

      A MUDANÇA COMEÇA COM CADA UM DE NÒS MESMOS..QUALQUER SUGESTÃO É VÁLIDA, BASTA CADA UM FAZER A SUA PARTE…..NÂO SE PODE DIZER QUE É DIFICIL E CRITICAR AS SUGESTÕES GENEROSAMENTE OFERECIDAS AQUI, SE CADA UM NÃO SE ENQUADRAR DENTRO DO TODO….REEDUQUE-SE MUDE VOCE PARA MUDAR O TODO…MAS COMECE…..!!

  10. Insatisfeito comentou em 01/11/2011 às 17:53

    solicito as pessoas que boicotem sempre que puder o transporte coletivo de má qualidade. vamos ver se perdendo passageiros cada vez mais, se vão continuar colocando carroça motorizadas para as pessoas usarem..

  11. JOÃO CARLOS comentou em 04/11/2011 às 8:03

    Existe na europa, sobretudo na Alemanha outra opção interessante que não foi usada aqui, as caronas em carros de pessoas cadastradas e que legaliza o transporte de caronas, o MITFAHRZENTRALE….para transportes dentro das cidades e principalmente entre cidades e paises diferentes. FUNCIONA MUITO BEM, pois já usei várias vezes quando morei na Alemanha por 5 anos. Parabens pela reportagem..vamos mudar..é sempre possível evoluir!

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