Entre 2009 e 2010, tive a experiência de morar na Espanha. No tempo em que estive lá, uma das mudanças culturais que mais me impressionou foi o horário da siesta. Em Barcelona, das 14h às 17h, a maioria dos estabelecimentos comerciais fecha as portas para que os funcionários almocem e descansem depois do almoço. Para muitos, isso inclui uma soneca.

O horário de trabalho, geralmente, vai das 10h às 14h e depois das 17h às 21h. Às sextas, eles fazem um horário corrido para saírem mais cedo para o final de semana. Aos domingos, praticamente nada está aberto, incluindo shoppings e lojas nos pontos mais movimentados da cidade.

No começo, achei isso muito, muito estranho. Não só eu, mas praticamente todos os estrangeiros que vivem aqui. Como o país quer ser economicamente competitivo dessa maneira? Como podem os empresários ver tão claramente que estão deixando de ganhar dinheiro e mesmo assim continuar fechando as portas no meio do dia?

Quando se presta atenção, é possível ver que as lojas que estão abertas no horário da siesta geralmente são de árabes ou de orientais (são muitos por lá). Os grandes grupos, muitos com capital internacional, também tentam manter os estabelecimentos abertos o maior tempo possível, embora esbarrem em alguns impedimentos legais.

Não estaria a Espanha correta?

Siesta

A famosa siesta

Depois de fazer parte do coro de críticos, passei a refletir e tentar ver a situação por outra perspectiva. Não estaria a Espanha correta e os outros países capitalistas workaholics equivocados? Por que considerar que está certo quem quer trabalhar mais e errado quem quer equilibrar melhor o tempo de trabalho com o de descanso?

Se você levar em consideração a atual situação econômica do país, concluirá que a Espanha está errada. Entretanto, a vida é bem mais que trabalho e aumento do PIB. Levar os dias em um ritmo mais tranquilo, principalmente com tempo para almoçar direito em vez de engolir qualquer coisa entre uma reunião e outra, parece ser um hábito muito mais salutar do que trabalhar que nem louco por 10 horas seguidas, como muitas vezes fazemos. Não é à toa que a chamada Dieta Mediterrânea, bastante forte em Barcelona, é considerada uma das mais saudáveis do mundo.

Lembro que o Ricardo Semler dizia que achamos normal abrir o e-mail do trabalho durante o domingo, mas consideramos um absurdo alguém ir pegar um cinema no meio do expediente da terça-feira.

O Brasil está bastante influenciado pelo modo de vida americano, com o agravante que passamos ainda muito, muito tempo no trânsito antes e depois do expediente. Talvez devêssemos parar de olhar tanto para o Tio Sam e mirar um pouco mais a Espanha.

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Publicado por Walmar Andrade

Criador do Mude.nu, Walmar Andrade é bacharel em Comunicação Social, com extensão em jornalismo on-line (UFPE), MBA em Planejamento, Gestão e Marketing Digital (FECAP-SP) e Master en Comunicación Empresarial (INSA-Barcelona). Escreve sobre comunicação e marketing digital no blog Fator W.

1 Comentário

  1. Olá Walmar!
    Concordo q um tempo maior q duas horas de descanso depois do almoço seria salutar, porém isso teria implicações jurídicas, haja vista q a concessão de mais de duas horas de intervalo intrajornada, esse tempo superior deve ser descontado da jornada diária, sob pena de tê-la q pagar como hora extra, ou seja: se vc tem uma jornada diária de 8 hs (4 pela manhã e 4 a tarde), se vc tiver um intervalo de 3 horas, vc somente poderá ter de trabalho efetivo 7 horas, pq o intervalo máximo intrajornada mo Brasil são de duas horas. Vc poderá dar mais de duas horas, porem terá q diminuir o excesso da jornada diária. No caso acima, se vc trabalhar efetivas 8 horas e tiver intervalo de três, o empregador terá q pagar uma hora extra.

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