Houve um tempo no Brasil, não muitos anos atrás, em que era possível fazer algo quase inexistente no mundo dos investimentos: ter um alto retorno com um baixo risco.

Em 2003, a taxa básica de juros da economia brasileira – conhecida como Taxa SELIC (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia) – chegou a bater 26,32% ao ano.

Para quem não sabe, essa taxa é definida pelo Comitê de Política Monetária e utiliza como uma das ferramentas para controle da inflação. Quando a inflação tende a subir, o Comitê aumenta a Taxa SELIC para desestimular o consumo (principalmente o consumo parcelado em infinitas prestações) e assim tentar domar a inflação.

Porém, a Taxa SELIC também é utilizada como referência para o cálculo das demais taxas de juros cobradas pelo mercado, incluindo os títulos emitidos pelo Banco Central e pelo Tesouro Nacional, tais como: Letra do Tesouro Nacional e Nota do Tesouro Nacional.

Em palavras bastante simplórias, quando você compra um desses títulos públicos você está emprestando dinheiro para o Governo, que devolverá com juros. Juros esses balizados pela Taxa SELIC.

Os “bons tempos” estão voltando

Taxa SELIC

Copom reunido para definir a Taxa SELIC

Infelizmente para a economia, a Taxa SELIC está novamente com tendência de alta. O Comitê de Política Monetária, depois de muito tempo mantendo-a na casa de um dígito, elevou a taxa na última reunião (fevereiro de 2014) para 10,65% ao ano.

Entretanto, se a Taxa SELIC alta é ruim para a economia como um todo, é bom para quem gosta de investir obtendo alto retorno com baixo risco (e quem não gosta?).

Em alguns títulos públicos, se você se comprometer a deixar o dinheiro investido por longo prazo (cerca de dez anos), é possível até dobrar o dinheiro com praticamente risco zero. O risco seria somente o de o governo falir, mas aí toda a economia estaria comprometida, prejudicando seu dinheiro em qualquer canto que ele esteja.

Quando o governo (federal, estadual ou municipal) emite um título público, ele está contraindo uma dívida por meio do mercado de capitais. Por se tratar de um compromisso público de dívida do governo, é muito difícil não haver o pagamento dos juros.

Na prática, é como se o governante estivesse pegando dinheiro emprestado da população que tem dinheiro sobrando e dando uma garantia de que vai pagar com juros. O objetivo do governo ao fazer isso é levantar dinheiro para pagar despesas mais imediatas.

Como investir em títulos públicos

Qualquer pessoa pode comprar títulos públicos, sendo remunerado pelos juros enquanto mantiver a posse. E para comprar você precisa apenas do valor mínimo de 0,2 vezes o valor do título.

Para facilitar a compra e venda dos Títulos da Dívida Pública, o Ministério da Fazenda criou o programa Tesouro Direto, permitindo a negociação direta entre o investidor (você!) e o governo, sem necessidade de intermediários.

A única exigência desse programa é que você esteja cadastrado junto a um banco ou corretora de valores, que ficará responsável por guardar os títulos. O programa chama essas instituições de “agente de custódia”.

Então, a dica para aproveitar essa tendência de alta é cadastrar-se junto a um agente de custódia (a maioria dos bancos já oferece esse serviço), entrar no Tesouro Direto e comprar os títulos públicos, sobretudo os pós-fixados e de longo prazo.

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