O hábito da meditação é um dos mais poderosos para manter uma mente centrada, com efeitos em praticamente todas as áreas da vida.

Embora muitas vezes pareça algo místico, a meditação na maioria das linhagens de ensinamento é algo bastante prático. A simplicidade, entretanto, não significa facilidade.

Nada pode ser mais simples do que sentar contra a parede e prestar atenção na respiração ou em algum outro ponto, todavia poucas coisas são mais difíceis do que manter a mente focada em um único ponto por certo período de tempo.

Sendo assim, o que você precisa para começar a meditar? No meu ponto de vista, apenas quatro coisas:

1. Um Professor

Você não aprende a pilotar um avião apenas lendo livros sobre como pilotar aviões, certo?

Aprender a “pilotar” a mente é a mesma coisa. Não basta ler alguns posts ou livros sobre o assunto. O ideal é ter um professor, de uma linhagem reconhecida (ou seja, um professor ordenado por um outro professor, que por sua vez foi instruído por outro mestre…).

Um bom mestre irá indicar o caminho, passar instruções, tirar dúvidas, mostrar onde você pode estar errando.

2. Um lugar

Almofada de meditação japonesa conhecida como zafu. A almofada de baixo chama-se zabuton e serve para os joelhos não ficarem fixos no chão duro.

É possível meditar em qualquer lugar, mas a criação de um espaço próprio, com a iluminação e o silêncio adequados, ajuda bastante.

Na minha casa, separei a pontinha da varanda, onde deixo sempre minha almofada já pronta para a prática. No fim da tarde e no começo da manhã a iluminação é a ideal, nem escura nem muito clara.

No começo da manhã, quando o mundo ainda está acordando, o barulho é menor e a prática fica mais simples de ser feita.

Você vai precisar também de um lugar para sentar. Eu utilizo um zafu, pequena almofada redonda japonesa, que comprei neste blog. Enchi com uns dois quilos de estopa (dessas de polir carro, à venda nos supermercados) e pronto.

O Papo de Homem também vende uma almofada para meditação, embora seja um pouco mais baixa.

3. A postura adequada

Em Mente Zen, Mente de Principiante, o autor Shunryu Suzuki diz que a postura correta é o próprio zazen (meditação japonesa). No caso, ele está se referindo a sentar na almofada com a coluna ereta, os olhos semi-abertos, pernas cruzadas e mãos formando um mudra (uma sobre a outra, com os polegares tocando-se levemente).

Existem outras posturas. Eu não consigo cruzar as pernas em posição de lótus nem semi-lótus, então fico com as pernas paralelas.

Dois fatores são fundamentais na postura: a coluna ereta e os joelhos firmes no chão. Por isso uma almofada alta como um zafu, com uns 20 centímetros de altura, é essencial.

Mais uma vez, o professor irá instruir sobre a postura correta.

4. A disciplina necessária

Meditação só tem efeito se for um hábito. Meditar hoje por dez minutos e daqui a duas semanas por outros quinze não terá praticamente nenhum efeito.

Uma boa ideia é procurar um grupo de prática na sua cidade, que se reuna com uma certa freqüência.

Eu utilizo dois aplicativos de iPhone que ajudam muito no controle.

Um chama-se Way of Life, que utiliza a técnica de habit tracker popularizada na famosa autobiografia de Benjamin Franklin (grande leitura, por sinal). Eu criei lá o hábito de meditar e todo dia, no final da tarde, ele pergunta se eu meditei. Se digo que sim, o dia fica com uma mariquinha verde. Se não, vermelha.

Assim com o tempo fica fácil acompanhar o hábito. Quando já há uma boa seqüência de verdes, você não quer quebrar a cadeia nunca mais.

O outro chama-se Meditator. Trata-se simplesmente de um timer com um sino. A grande vantagem é que você pode deixar o iPhone no silencioso e mesmo assim o sino toca. Dessa forma, mesmo que alguém ligue para você, a meditação não será interrompida (lembre-se de tirar a função vibrar do silencioso).

Acredito que haja aplicativos semelhantes para outros sistemas de celulares. Em todo caso, são coisas simples de fazer também com um calendário e uma caneta e um timer de cozinha (desde que não fique com o tic-tac toda hora).

E voce? O que acha que é necessário para meditar?

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Publicado por Walmar Andrade

Criador do Mude.nu, Walmar Andrade é bacharel em Comunicação Social, com extensão em jornalismo on-line (UFPE), MBA em Planejamento, Gestão e Marketing Digital (FECAP-SP) e Master en Comunicación Empresarial (INSA-Barcelona). Escreve sobre comunicação e marketing digital no blog Fator W.

7 Comentários

  1. Boa, Walmar!

    Fizemos também um passo a passo aqui: http://papodehomem.com.br/como-usar-sua-almofada-de-meditacao/

    Cara, eu passei anos com esse zafu preto, igualzinho o seu. E sempre minhas pernas ficavam dormentes após cerca de 45 minutos. No retiro fechado de 10 dias que fiz ano passado, já no terceiro dia meus joelhos doiam muito. A ponto de começar doer logo nos primeiros minutos de cada sessão. Um inferno. Ficou inviável seguir daquele jeito.

    E então a assistente do meu professor, Lama Padma Samten, uma aluna que o acompanha bem de perto viajando pelo Brasil, a Raquel, me disse: “Por que tu não senta no chão e usa a almofada sentando bem na pontinha?”.

    Batata!

    Isso mudou minha prática. Domingo, por exemplo, fizemos 3h direto de silêncio, só levantando para fazer 2 sessões de kin-hin. E foi sussa, sem dor alguma.

    O Lama dá instruções sobre sentar aqui (logo em 0:40 ele pega a almofada): http://www.ustream.tv/recorded/22532224

    E o Alan Wallace (um dos que mais manja de meditação hoje em dia, aprendeu de trocentos professores, ensina há 40 anos) enfatiza MUITO, mas MUUUUUITO mesmo, sempre, o foco no relaxamento. Sem relaxar, sem chance.

    Abração.

    Responder
    • Gitti, engraçado que comigo foi o contrário. No início eu usava um travesseiro baixo e as pernas ficavam dormentes, mesmo sendo meditações de apenas dez minutos. Com o zafu alto eu não sinto nada, mesmo com tempos maiores. Mas eu sou muito lammer nisso ainda.

      Estou vendo o vídeo, muito bom, direto ao ponto.

      Responder
      • Sim, Walmar, comigo e com muitos que observo é assim mesmo: no começo, porque não temos uma boa postura e ou quando às vezes não temos bom alongamento e flexibilidade, precisamos de uma almofada mais alta. Depois, para alguns, e é isso que te sugiro fazer daqui a um tempo, uma grande solução é reduzir a altura e sentar quase no chão.

        (Ah, cara, eu mudaria a foto de chamada para esse desafio. O cara está numa péssima postura e ainda com as mãos para cima como que fazendo ioga que chama os deuses, num mudra específico. Nunca vi um praticante decente sentar assim. hahaha)

        (Ah 2: os comentários demoram muito pra carregar, quando clico em “Responder” e também pra serem enviados)

        Responder
        • Tem razão, Gitti. Pedirei para trocar essa foto djá!

          Sobre a lentidão, estamos orçando para trocar de servidor. Valeu!

          Responder
  2. Onde posso encontrar um professor de meditação aqui em Recife? Alguém tem ideia?

    Responder
  3. A verdade é q, como quase tudo, o começo é sempre difícil e também a pessoa disponibilizar-se, além de ter paciência para adaptar, primeiro o próprio corpo e, então, a mente. Penso, q depois vem o mais difícil, a prática continua, levar para o cotidiano.

    Responder

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