Estávamos em Praga e a busca, que já levava mais de duas horas, era por um famoso castelo da cidade. Ou melhor, não um castelo qualquer, mas sim o maior castelo do mundo: o Pražský hrad.

A confusão começou ainda na noite anterior.

Nós havíamos alugado um apartamento via AirBnB. Chegamos de trem no final da tarde de uma segunda-feira chuvosa na República Tcheca. Ainda com a mochila nas costas, começamos a tocar a campainha, bater na porta, bater palmas… mas nada de ninguém nos atender.

Telefonamos para o número indicado pelo AirBnB. A dona avisou que estava no trabalho, mas que uma funcionária estava no prédio e nos atenderia.

E tome campanhia, batidas na porta, palmas.

Até que, uns 15 minutos depois, sai do prédio meio apressado um desconfiado bigodudo. Creio que era o cara da TV a cabo. Ou o leiteiro.

Logo depois aparece a tal funcionária, ainda um pouco ofegante, com aquela cara de que não estava entendendo nada.

E não estava mesmo: ela não falava inglês. Nem nenhum outro idioma que não o tcheco.

Depois de alguma mímica, finalmente ela nos tirou da chuva e ficamos os quatro na recepção do prédio, esperando a proprietária do apartamento chegar.

Fizemos novas tentativas mímicas e em vários idiomas, incluindo o portunhol, para tentar arrumar a senha do wi-fi e um copo d’água.

Foi quando tive a ideia de baixar um aplicativo para iPhone que falava em tcheco o que eu escrevia em inglês. E assim começou a conversa mais louca de toda o mochilão do Mude.nu. Viver no futuro é muito bom.

Descobrimos que o nome da recepcionista era Sasha e que, na verdade, ela era húngara. E que não havia sido avisada da nossa chegada. Mesmo assim, não parecia chateada com esses três brasileiros empata que chegaram no meio da tarde.

Depois de quase uma hora nessa Torre de Babel, finalmente chega a proprietária do apartamento, acabando com aquele mito de que toda mulher do leste europeu é bonita:

Praga, República Tcheca

Pelo menos Viktoria falava um inglês fluente. Algo raro na cidade, como descobriríamos no dia seguinte.

Ela deu várias dicas do que fazer na cidade no dia seguinte, com destaque para o maior castelo do mundo. E foi aí que começou a interminável busca.

Em busca do castelo perdido

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Diferente dos outros apartamentos que alugamos durante o mochilão, esse ficava distante do centro. Não havia comércio por perto, então nossa ideia era chegar ao centro para tomar café da manhã no caminho para o castelo.

Pensamos que, por ser o mais conhecido ponto turístico de Praga, encontraríamos sem problemas o castelo.

Ledo engano.

Logo de saída, descobrimos que o mapa que tínhamos era extremamente simplificado e pouco ajudava. As placas dos ônibus que passavam perto do apartamento estavam todas em tcheco, o que significava acento cirunflexo invertido em cima do C, acento agudo no Y e letras que nunca havíamos visto.

Tentamos usar a intuição e pegamos um ônibus no sentido oposto ao que queríamos ir. Descemos no meio do caminho e embarcamos em um tram que nos levou para um subúrbio ainda mais distante.

A fome foi batendo, a glicose foi baixando, e os membros da equipe começaram aquelas discussões que só a hipoglicemia explica. Das discussões surgiram bordões que nos acompanham até hoje.

Foram mais de duas horas andando por bairros afastados, residenciais, sem encontrar uma alma que falasse inglês. É como se você fosse visitar o Rio de Janeiro e ficasse andando por Turiaçu e Vaz Lobo em vez de visitar Copacabana e Ipanema.

A maior alegria dessa parte da viagem foi encontrar um mercadinho tcheco aberto, com uma senhorinha atendendo, para podermos comprar um croissant e um Toddynho. Lá descobrimos que em Praga tudo é MUITO barato. Um real vale quase 9 coroas tchecas!

De repente tudo se iluminou e conseguimos chegar, pelo menos, ao centro de Praga, com a imponente Estátua de São Venceslau e o Museu Nacional.

Mas a busca pelo castelo continuava.

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O Castelo de Praga

O fato é que depois de quase três horas de busca, eis que finalmente chegamos ao Castelo de Praga para descobrir que não se tratava nem de um castelo.

Com mais de 70 mil metros quadrados no topo de uma colina, o que chamam de castelo é praticamente uma mini-cidade.

No centro você encontra a Catedral de S. Vito, uma das igrejas mais impressionantes que vimos durante toda a viagem. E olhe que foram várias.

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Descobrimos lá que ela levou quase seis séculos para ficar pronta, principalmente por conta das imensas torres. Uma claustrofóbica escada rotatória sem janelas, com 350 degraus (se não me engano), nos levou até o topo de uma das torres.

Lá de cima, pudemos ver toda a beleza de Praga, incluindo o contraste entre a parte antiga e histórica da capital tcheca com a parte nova da cidade. E também pudemos vez a pequenez do homem frente à sua própria obra.

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Se levamos três horas para chegar ao castelo, passamos outras quatro rodando por ele, incluindo uma pausa para o almoço onde escolhemos, na mímica, três pratos típicos do país.

E eu deveria ter pedido um hambúrguer…

Charles Bridge e as aranhas

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Do castelo, seguimos ainda a pé para passar pela Charles Bridge, famosa ponte que havíamos avistado do alto da torre da Catedral de S. Vito.

A mais velha ponte de Praga tem esse nome por ter sido iniciada pelo Rei Carlos IV. Ela liga a cidade antiga à cidade nova e estava apinhada de gente, mesmo tendo quase dez metros de largura.

A ponte tem meio quilômetro de comprimento e nesse pequeno espaço encontramos quase tudo. Principalmente músicos e artistas de rua tentando arrumar uns trocados.

Ao longo de toda a ponte ficam 30 estátuas de santos e em cada extremidade, uma torre. A estátua mais famosa é a de São Pedro.

A lenda local diz que quem toca na placa abaixo da estátua de São Pedro com certeza voltará a Praga. Tanta gente passa a mão na placa que, apesar de toda ela estar oxidada, a parte tocada fica reluzente como ouro.

Uma dica para o anoitecer é descer ao pé da ponte para tirar uma foto que pega a ponte iluminada e o imenso castelo ao fundo, no topo da colina.

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Para achar o local exato, procure pela Karlovy Lázně, uma boate de cinco andares ao pé da ponte. Siga reto passando pela entrada dela até um restaurante que fica à beira do rio. Na varadinha do restaurante, que na verdade é um espaço público, você consegue o lugar ideal para a foto.

Uma curiosidade que observamos desde a manhã foi a quantidade de aranhas em Praga. Havia teias em arbustos, postes, grades, escadas e praticamente qualquer lugar onde você olhasse com mais atenção.

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A Praça da Cidade Velha de Praga

Não é por acaso que o turismo é a principal atividade econômica de Praga. Depois de passar pelo Castelo e pela Ponte, chegamos à Praça da Cidade Velha de Praga, uma imensa praça rodeada por prédios góticos, renascentistas, barrocos e neoclássicos, tudo misturado.

Lá você encontra também pontos turísticos famosos de Praga, como o Relógio Astronômico (não consegui ver as horas), o Palácio Goltz-Kinsky (não consegui pronunciar) e a Igreja de Nossa Senhora diante de Tyn (não sei quem é o Tyn).

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Entre a ponte e a praça, paramos para comer em um Burguer King e eu acabei esquecendo a câmera, com todas as fotos da viagem!

Só percebi isso quase meia hora depois de ter saído da lanchonete. Dei uma carreira de volta e, por sorte, a câmera estava na mesma mesa em que eu havia esquecido. Sim, já tinha outra pessoa na mesa, mas ninguém nem tocou na câmera. Ufa!

Como era uma terça-feira de sol, rolava muita cerveja nos bares ao redor da praça e também muita música ao centro dela. Inclusive um pianista com máscara de cavalo que tocava uma impressionante versão da abertura de Game of Thrones. Mas que parava de tocar se você fosse o fotografar ou filmar.

Praga tinha tanta coisa para ver e fazer que, quando nos demos conta, já era quase meia-noite e o metrô ia fechar.

Com uma certa pressa, conseguimos pegar o trem até a estação mais próxima do apartamento, mas de lá mais uma vez nos perdemos. Ainda tentamos chegar ao apê seguindo as placas em tcheco, mas capitulamos e acabamos pegando um táxi mesmo.

Havia um táxi branco e um amarelo. Fomos ao amarelo, mas o motorista, em um inglês capenga, nos cobrou 200 coroas tchecas para nos levar ao destino.

Revoltados com a atitude, embarcamos no táxi branco com o taxímetro ligado. Preço final da corrida: 400 coroas tchecas.

Ouvi dizer que o motorista do táxi amarelo está lá parado até hoje sem entender o que aconteceu…

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Publicado por Walmar Andrade

Criador do Mude.nu, Walmar Andrade é bacharel em Comunicação Social, com extensão em jornalismo on-line (UFPE), MBA em Planejamento, Gestão e Marketing Digital (FECAP-SP) e Master en Comunicación Empresarial (INSA-Barcelona). Escreve sobre comunicação e marketing digital no blog Fator W.

2 Comentários

  1. Muito bem informativo e humorado. Só fiquei decepcionado com a historia das mulheres do leste europeu. Mas adorei o texto.Parabens

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  2. Adorando os relatos mas confesso que dei Graças a Deus que não havia lido antes da minha viagem a Praga!
    Eu tenho aracnofobia gravissima! E se tivesse lido, eu tenho quase certeza que não iria mais pra cidade ou então ficaria tão tensa que nem aproveitaria.
    A parte maravilhosa é que não sabia que haviam aranhas por lá e não vi nenhuma! nada! Em nenhum lugar! Graças a Deus! E fiz uma viagem maravilhosa.. gostei mais de Praga do que de Paris. E estou doida pra voltar!
    Mas sem aranhas hihih parabéns pelo site!

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