Imagine uma cidade em que tudo funciona.

Uma cidade em que as pessoas podem andar para todo canto de bicicleta. Em que você pode andar na rua a qualquer hora do dia ou da noite sem medo.

Uma cidade que assume que drogas e prostituição existem desde que o mundo é mundo e, em vez de escondê-las sob o manto da hipocrisia, prefere exibi-las e discuti-las de forma aberta em vitrines para que todo mundo veja.

Uma cidade que é a capital do quarto país com maior desenvolvimento humano do mundo. Em que toda a população é alfabetizada, a maioria em mais de uma língua.

Uma cidade cortada por canais, nos quais as pessoas podem passear de barco com amigos e familiares, comendo, bebendo e se divertindo enquanto aproveitam a paisagem.

Essa cidade, que tem apenas um defeito, é Amsterdam, por onde começou o inesquecível Mochilão 2014 do Mude.nu.

O que fazer em Amsterdam

Quando decidimos fazer um mochilão pela Europa depois da Copa do Mundo, não tínhamos certeza de quase nada. Apenas que a viagem começaria por Amsterdam.

Assim, quando definimos o nosso roteiro, surgiu de cara a pergunta: o que fazer em Amsterdam?

A primeira resposta nos pareceu bem óbvia: Pedalar!

Pedalando em Amsterdam

Até preparamos um roteiro, cobrindo os principais pontos turísticos da cidade, pegamos mapa, baixamos um aplicativo de GPS para o celular.

Porém, no primeiro dia de viagem, assim que saímos na rua, o que realmente fizemos foi simplesmente pedalar para onde o nariz apontasse.

E foi assim que conhecemos os bairros periféricos e residenciais de Amsterdam, a calmaria dos condomínios, os parques disponíveis a todos. Não fosse por aquele único defeito, seria a cidade perfeita.

Algumas vezes o trânsito de bicicletas nos impedia a virar à esquerda ou à direita. Íamos sendo levados pelo tráfego e acabávamos em lugares que nem imaginávamos que existiam. A experiência foi tão boa que faremos um post apenas sobre como pedalar em Amsterdam.

Ao mesmo tempo, batia certa tristeza quando lembrávamos que nossa cidade natal, Recife, também é cortada por canais, também foi dominada por holandeses por 24 anos, mas não oferecia nem um terço daquela qualidade de vida.

Está gostando deste texto?

Roteiro de viagem para Amsterdam

Apesar dessa forma não tradicional de conhecer a cidade, acabamos passando por praticamente todos os pontos turísticos obrigatórios de Amsterdam.

O roteiro de viagem a seguir é baseado puramente na nossa experiência. Se você curte o estilo do Mude.nu, é provável que sirva para você também.

Red Light District

Red Light District de Amsterdam

Quando se vai a uma cidade, o ideal é ir conhecer de cara aquela característica que a torna diferente de todas as outras. No caso de Amsterdam, essa característica é o Red Light District, o “bairro da luz vermelha”.

Pense no seguinte cenário: uma igreja velha, rodeada por um monte de ruelas estreitas, em um bairro chamado “pequenos muros”.

Pois bem, estávamos tirando fotos dos canais de Amsterdam, por volta das 16h, em plena luz do dia, quando me dei conta que havia uma loira de calcinha e sutiã vermelhos na porta de casa. E ainda sorrindo em nossa direção.

Meio sem jeito, tentei disfarçar, olhar para outro lado… e o que vi? Outra mulher seminua na janela da casa do outro lado da ruela. E assim por todo canto, eram mais de 300 vitrines assim!

Claro que eu já havia escutado histórias sobre isso, mas ver ao vivo é completamente diferente. A primeira impressão é de espanto, depois de curiosidade, depois de reflexão sobre a certa humilhação daquilo tudo.

Pelo que soubemos, esse bairro tornou-se uma zona de prostituição quando o Porto de Amsterdam começou a se tornar parada importante para os navios europeus, entre os séculos XIII e XIV.

Três séculos depois, já havia bordéis por todo lado, até que, em 1911, a Holanda proibiu a existência dos bordéis. Com isso, as prostitutas tiveram que se virar. Viraram “massagistas”.

Vendo que não dava para brigar contra o inevitável, a Prefeitura de Amsterdam permitiu a prostituição, desde que as profissionais do sexo não ficassem se oferecendo no meio da rua. Foi assim que surgiram as vitrines, na década de 1960. No começo eram poucas, hoje são centenas.

Mas não só as prostitutas na vitrine que compõem esse bairro. Também há bares, restaurantes, cassinos, boates, museus de sexo, casas para se ver sexo ao vivo, batedores de carteira, umas igrejas e gente, muita gente por todo lado.

Palácio Real da Holanda

Palácio Real de Amsterdam

Foto: Robert Scarth (Licença Creative Commons)

Não muito longe das prostitutas, mora outra loira que vive na vitrine: a Rainha Máxima, uma argentina que se tornou monarca dos Países Baixos em 2013.

Aliás, descobrimos lá que o que chamamos no Brasil de Holanda, na verdade, são os Países Baixos (compostos por Holanda do Norte, Holanda do Sul e outras dez províncias).

O Reino dos Países Baixos, além dos Países Baixos em si, também engloba Aruba, Curaçao e São Martinho. O Suriname, aqui ao norte do Brasil, não faz mais parte do reino desde 1975.

Voltando à Rainha Máxima, ela dá expediente no Palácio Real da Holanda, que fica bem pertinho do Red Light District. Passe lá para tirar umas fotos, mas não espere nada de extraordinário da construção.

Casa de Anne Frank

Museu Casa de Anne Frank em Amsterdam

Voltando do Palácio, ainda de bike, topamos com uma fila imensa. Era a Casa de Anne Frank.

Se você não conhece a história, Anne Frank é uma famosa garota judia que, aos 13 anos, ganhou um diário. Logo depois, os nazistas invadiram a Holanda.

Anne Frank ficou escondida em casa com a família por dois anos, sem colocar o pé na rua, sem fazer barulho, compartilhando um único banheiro, em total confinamento.

Só que, após dois anos escondida, a família foi descoberta, presa e enviada para campos de concentração. Todos morreram, menos o pai de Anne.

Dois meses depois que ela morreu, a guerra acabou e o pai conseguiu voltar para Amsterdam, onde encontrou o diário da filha. O texto foi publicado e Anne Frank tornou-se uma verdadeira heroína nacional.

A casa onde a família ficou escondida virou um museu e tornou-se uma das principais atrações turísticas de Amsterdam. Pena que estava tão lotada que nem cogitamos entrar.

Estação Central de Amsterdam

Ainda na mesma área, você deve visitar a gigantesca Estação Central de Amsterdam, por onde passa a maioria dos bondes, metrôs e ônibus da cidade.

Aliás, você vai perceber que ao lado de cada estação da cidade há um enorme bicicletário, com tanta bicicleta que não dá para entender como cada um acha a sua magrela depois.

Bicicletas em Amsterdam

Por lá dá para comprar ingressos para passeios de barco pelos canais de Amsterdam.

Museu Van Gogh

Há muitos pintores holandeses famosos, mas Van Gogh é provavelmente o maior entre eles.

Se não ele, com certeza seu Museu é o maior de todos.

A maior coleção do mundo de obras de Van Gogh fica justamente lá, junto com obras de amigos e outros quadros que influenciaram o artista.

Se você curte arte, separe uma manhã ou tarde para dar conta de ver tudo. Uma dica é visitar o site da Artsy, que traz muitas informações sobre Van Gogh.

Vondelpark

Perto do Museu Van Gogh fica o mais famoso parque de Amsterdam, o Vondelpark.

Mal comparando, é como se fosse o Central Park deles. Lá dentro dá para encontrar museu de filmes, bares, teatro a céu aberto, brinquedos, lagos etc.

Ficamos sabendo que é um dos pontos mais movimentados inclusive no inverno, quando fica coberto de neve.

Coffee Shops

Coffee Shop de maconha em Amsterdam

Você não achou mesmo que deixaríamos de falar da fama lombrosa de Amsterdam, não é?

Os Coffee Shops de Amsterdam são locais onde é permitida compra, venda e consumo de maconha e outras drogas leves. Cogumelos alucinógenos frescos foram banidos em 2007 :D

Curiosamente, você pode fumar, mas não pode enrolar o seu baseado nas mesas dos Coffee Shops que ficam nas calçadas.

Pelo menos é o que dizem as placas de “Proibido enrolar o baseado em público” que vimos nas mesas de calçadas dos Coffee Shops. Parece que eles não querem ensinar às crianças como se faz, embora elas possam ver como se fuma.

(É… parece que cabeça de legislador é igual em qualquer lugar do mundo).

Dicas para marinheiros de primeira viagem em Amsterdam

  • Não tire fotos das prostitutas nas vitrines. Pode dar bronca das grandes.
  • Não compre maconha sem ser nos Coffee Shops. Pode dar bronca das grandes.
  • Faça um tour pelos canais de Amsterdam. É barato e dá outra perspectiva da cidade.
  • As tomadas são 220V, mas são de pino redondo e os adaptadores por lá são caros (só arrumamos por 10 euros).
  • Não se garanta em encontrar algo para comer na rua. É difícil pra caramba encontrar lanchonete ou mercadinhos no meio da cidade (pelo menos por onde andamos).
  • Todo mundo fala inglês e todo mundo é muito solícito para prestar informações.
  • Praticamente não há crimes violentos por lá, mas batedores de carteira atacam nas áreas mais movimentadas.
  • Se você curte cerveja, vá à Heineken Experience, um museu na fábrica onde surgiu a cerveja Heineken.
  • Não conseguimos alugar apartamento via AirBNB, então usamos o Hotel Casa 400, que é uma espécie de residência estudantil e hotel. Muito bom e a apenas três minutos andando da Amstel Station, que é a segunda maior estação de Amsterdam.

E o que há de ruim nesta cidade, afinal?

Ciclovia de Amsterdam

Estávamos tão de cara com Amsterdam, que começamos a nos questionar se haveria algo de ruim por ali.

Educação, segurança, saúde, transporte, bicicleta, libera-geral… tinha que haver um defeito (além de não morarmos lá, claro).

Levamos essa pergunta a um garçom uruguaio que morava lá há décadas e finalmente descobrimos:

“Nesta cidade só faz sol uns sete dias por ano. Vocês deram sorte de pegar um desses sete dias hoje!”.

Receba as atualizações

Publicado por Walmar Andrade

Criador do Mude.nu, Walmar Andrade é bacharel em Comunicação Social, com extensão em jornalismo on-line (UFPE), MBA em Planejamento, Gestão e Marketing Digital (FECAP-SP) e Master en Comunicación Empresarial (INSA-Barcelona). Escreve sobre comunicação e marketing digital no blog Fator W.

4 Comentários

  1. Que tal um post sobe como planejar um mochilão?
    Estou tentando planejar o meio primeiro, mas não sei por onde começar…

    Responder
  2. Já me falaram que as pessoas não são muito gentis em Amsterdam, o que vocês acharam?

    Responder
  3. Pelo contrário, Nair. Achei a cidade com as pessoas mais simpáticas :)

    Responder
  4. Não acho que não fazer sol a maior parte do ano seja um defeito da cidade. Muito pelo contrário. Já quero Amsterdam na minha vida!! kkk

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *