O método Getting Things Done (GTD) é provavelmente o sistema de produtividade pessoal mais comentado no mundo, sobretudo em fóruns e sites. São incontáveis os posts e softwares focados nas ações horizontais de controle do GTD: Coletar, Processar, Organizar, Revisar e Executar.

Acontece que o GTD possui uma outra perspectiva que é muito pouco abordada. Trata-se do eixo vertical, chamado de Perspectiva, que engloba Propósito/Princípios, Visão de Futuro, Metas, Áreas de Responsabilidade, Projetos e Ações.

Parte da culpa por esse desequilíbrio é do próprio criador do GTD. No livro clássico, o eixo vertical é usado com uma metáfora de avião (5 mil pés, 3 mil pés) que não deixa muito claro para o leitor o que quer dizer. Além disso, poucas páginas são destinadas ao tema, já que o livro concentra-se essencialmente no eixo Controle.

No livro posterior, chamado no Brasil de Faça Tudo Acontecer, David Allen explica bem melhor o eixo vertical, detalhando inclusive como devemos traçar cada um desses pontos.

Sem o eixo de Perspectiva, estaremos sobretudo enxugando gelo ao tratar as coisas da vida. Poderemos até ser produtivos, porém estaremos indo para onde a vida nos leva, em vez de pegá-la com as unhas e direcionar para onde queremos.

O autor explica que a visão mais ampla acontece quando definimos nosso propósito e nossos princípios. Quais são os princípios que mais valorizamos? Para alguns, segurança é mais importante do que aventura. Para outros, é o oposto. Dependendo da sua escala de valores, isso pode mudar a maneira como você configura suas ações.

Definidos os princípios, Allen recomenda que criemos nossa visão de futuro. Ou seja, um texto em que detalhamos como nos vemos daqui a algum tempo. Seria algo como o nosso “eu” ideal.

Acho esse ponto bastante perigoso, sobretudo quando nos apegamos demais a algumas ideias e ficamos frustrados quando as coisas não acontecem (sobretudo aquelas que não dependem apenas de nossa ação). Além disso, por mais que planejemos, é muito difícil superar a impermanência própria do mundo.

Com essa visão em mente, o autor recomenda que dividamos nossa vida em algumas áreas de responsabilidade. Um exemplo seria: Saúde, Faculdade, Trabalho, Família, Finanças etc. Cada uma dessas áreas deve ter suas próprias metas, que nada mais são do que transformar os sonhos da visão de futuro em alvos específicos, mensuráveis, estimulantes, realistas e tangíveis.

Para cada meta, em cada área de responsabilidade, devem ser listados os nossos projetos. Na visão de David Allen, um projeto é qualquer coisa que necessite de mais de uma ação para ser realizado.

Por exemplo, “Botar gasolina no carro” pode ser uma ação, porém “Botar o carro na oficina” pode ser um projeto, visto que engloba uma série de ações (ligar para a oficina; deixar o carro na oficina; acertar um serviço de táxi ou aluguel de veículos etc.).

Claro que projetos de vida, dentro de cada área, são bem mais complexos que isso. Nesse ponto é que se entra no eixo horizontal do GTD: coletar, processar, organizar, revisar e executar as ações de cada um dos projetos, em todas as áreas de responsabilidade, sendo que essas ações devem estar alinhadas com nossos princípios e com nossa visão de futuro.

Sobre isso, no entanto, muito já foi escrito. :)

Receba as atualizações

Publicado por Walmar Andrade

Criador do Mude.nu, Walmar Andrade é bacharel em Comunicação Social, com extensão em jornalismo on-line (UFPE), MBA em Planejamento, Gestão e Marketing Digital (FECAP-SP) e Master en Comunicación Empresarial (INSA-Barcelona). Escreve sobre comunicação e marketing digital no blog Fator W.

    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *