Existe um grande padrão naqueles que focam em desenvolvimento pessoal: sempre piora antes de melhorar.

É natural que seja assim. Digamos que antes você fosse um cara que seguida o Zeca Pagodinho Way of Life. Deixa a vida lhe levar: fazia aquele seu trabalho da maneira que dava, assistia TV de noite, quando chegava o fim-de-semana tomava uma com os amigos, depois serpenteava na cama no domingão etc.

De uma hora para outra, começa a querer ser algo mais na vida: passa a estudar técnicas de desenvolvimento pessoal. E aí toma consciência de tudo o que estava fazendo e de como estava desperdiçando a vida. Pior: mesmo sabendo o que tem que fazer, não consegue quebrar facilmente hábitos que foram formados durante anos!

Cypher, o traidor de Matrix

Lembra-se do personagem Cypher, no primeiro filme da trilogia Matrix? Depois de decobrir a realidade da Matrix, ele fez um acordo com seus inimigos para voltar ao estado que era antes. No seu pensamento estreito, era melhor quando ele era dominado mas não sabia disso do que agora, que estava “acordado” mas falhava continuamente em lutar contra o sistema.

Se antes você fazia as coisas de uma maneira equivocada, agora você as continua fazendo só que com a consciência de que poderia estar fazendo tudo de uma maneira diferente e melhor. Tem como não ficar para baixo?

Focar apenas em si é uma grande burrice

A resposta normal para esse tipo de insatisfação é passar a focar mais e mais em si mesmo. Pensamos: até aqui eu fiz tudo errado, mas agora vou cortar tudo de ruim e dar o máximo de mim para ser o melhor que puder.

Muitas vezes o resultado disso é estresse, afastamento de amigos e da família e um grau grande de instatisfação. Qual o erro aqui?

O problema é que somos seres interdependentes. Focar apenas em si próprio e esquecer de nossas conexões com o mundo não tem como dar certo. Até porque, se você for prestar atenção em alguns filósofos e sábios, não existe na verdade um “eu” a que se apegar.

Tanto em você como nos outros, não há “a pessoa” em si, apenas as experiências construídas nas quais aparecemos como um elemento no mundo sensorial de alguém. – Gustavo Gitti em Papo de Homem.

Você deve prestar atenção nas suas relações com o mundo e não no próprio personagem que construiu para si mesmo. Para isso, existe uma alternativa extremamente poderosa.

A alternativa da compaixão

Compaixão pode ser definido como amor incondicional, ou o amor que não depende de condições. Para a compaixão, não existe um “eu te amo, se você fizer isso ou aquilo” ou “correponderei ao seu amor, se você for assim ou assado”.

Se somos todos interdependentes, não faz sentido você focar o seu desenvolvimento apenas na ilusão do próprio ego. Você tem que estudar para melhorar sim, mas se fechar os olhos para o mundo e olhar apenas para o próprio umbigo, é improvável que consiga muito mais do que tristeza e solidão.

Sendo assim, a saída é conscientizar-se de que não há diferença entre você e os outros, que essa é uma falsa dualidade. Daí vem a regra de ouro de que tanto falamos aqui: tratar os outros como a si mesmo.

Quando você interrompe o padrão de ver os outros (sejam pessoas, condições ou qualquer coisa externa) como adversários, sua mente se abre para um mundo de possibilidades que podem levar não apenas você – mas tudo o que o rodeia – a uma existência mais próxima daquilo que chamamos de felicidade.

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1 Comentário

  1. Mas e quando os outros nos ferem? E quando o motoboy quebra nosso retrovisor? E quando somos assaltados? Como vamos deixar de ver o outro como adversário?

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