Existe uma tendência, mesmo entre os que estão querendo comprar menos coisas, de chamar todo mundo de “consumidores”. A empresa precisa satisfazer seus consumidores. Nós consumidores precisamos escolher com nosso dinheiro. Nós precisamos de cães de guarda para proteger consumidores. Consumidores estão comprando menos durante a recessão.

Vamos parar com isso. Nós não somos consumidores.

Nós somos pessoas.

Quando permitimos que nos rotulem com esses termos corporativos, somos inseridos nesta forma consumista de pensar. Nós permitimos que o debate tenha se formado em torno do ato de comprar: devemos comprar orgânico ou local? Como podemos proteger os consumidores? Quais os direitos dos consumidores? Qual a melhor maneira de gastar nosso dinheiro em produtos? Como podemos ser consumidores safos? Como podemos causar mudanças na sociedade fazendo escolhas éticas ou conscientes de compras?

E quanto a questão sobre se devemos comprar ou não? Essa é jogada fora pela janela, porque já está pre-assumida no termo: nós somos consumidores. Então, é claro que compramos. É só uma questão de como, quanto, onde, de quem e com que frequência.

Sacola vermelha de compras de shopping

Mas se nós pararmos de pensar em nós mesmos como consumidores, e passarmos a nos chamar de pessoas, então reabrimos a questão. Antes de tudo, nós deveríamos mesmo comprar? É possível levar uma vida sem comprar?

Nós temos falado um pouco sobre isso na sociedade, reimaginada… que nós podemos plantar nossa própria comida, fazer e trocar tudo o que precisamos. É possível – é claro que é possível! Seres humanos (não consumidores) fizeram isso por centenas de milhares de anos, e por pelo menos 10 mil anos em uma sociedade civilizada: nós vivemos e trabalhamos e brincamos e amamos, sem comprar. Fizemos isso em tribos, claro, mas também em sociedades maiores que não eram baseadas em torno da unidade básica empresa -> consumidor.

Eu não estou advogando um retorno ao tribalismo. Só estou dizendo que precisamos mudar o debate. Precisamos parar de nos chamar consumidores. Precisamos abrir nossas mentes, para que um caminho diferente se torne possível.

Traduzido de mnmlist com autorização do autor.

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5 Comentários

  1. Acho muito interessante esse ponto de vista. Só poderia reforçar mais a idéia se não tivesse um banner exibindo um monte de ofertas ao lado do post bombardeando as mentes dos leitores e induzindo cada vez mais as pessoas a pensarem que para serem úteis tem que comprar e comprar.

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  2. Durden,

    O que achas da expressão “consumir cultura” ? Você se considera um “consumidor de cultura” w

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  3. Essa aqui é para publicitários darem uma lida… http://t.co/jJ92R5W

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