Quando se fala em desenvolvimento pessoal e mudar de vida, o autor e palestrante americano Anthony “Tony” Robbins é um dos nomes mais lembrados. O cara ficou famoso no mundo todo ao desafiar psicólogos tradicionais em rádio e televisão dizendo que poderia curar fobias dos pacientes mais complicados deles em menos de uma hora.

Para Robbins, podemos realizar as mudanças que queremos através do processo que ele chama de Condicionamento Neuroassociativo. Em resumo, trata-se de condicionar nossa mente – principalmente através da repetição – para associar muita dor ao comportamento que queremos abandonar e muito prazer ao novo comportamento que queremos adotar.

Para sistematizar essa técnica, o autor definiu seis passos em seu livro, que no Brasil ganhou o título de Desperte Seu Gigante Interior. O livro é grande, tem mais de 600 páginas, e explica com detalhes os seis passos – além de muitas outras coisas. Vamos aqui apenas fazer um resumo de cada passo desse.

1. Decida o que realmente quer e o que o impede de ter isso agora

Anthony Robbins

Anthony Robbins

Muita gente sabe que quer mudar de vida, que quer algo diferente, mas não sabe exatamente o quê. Sem clareza, é difícil conquistarmos alguma coisa.

Neste primeiro passo, Robbins recomenda que escrevamos em detalhes o que realmente queremos e também o que está nos impedindo de ter isso neste exato momento.

O autor argumenta que o que nos impede de obter a mudança é o fato de vincularmos mais dor a promover uma mudança do que a permanecer onde estamos.

2. Use uma alavanca: associe uma dor intensa a não mudar agora e um prazer imenso à experiência de mudança imediata

“Dê-me uma alavanca e um ponto de apoio e levantarei o mundo” ~ Arquimedes

Geralmente, a mudança não é uma questão de capacidade e sim de motivação. Se você fosse ameaçado de morte, com uma faca no seu pescoço, caso não realizasse a mudança, com certeza teria o incentivo suficiente para fazê-la.

O que este segundo passo propõe é justamente isso: crie uma associação emocional intensa de dor e sofrimento caso você não vá em frente com seus objetivos e também vislumbre todos os benefícios – racionais e emocionais – que terá caso corra atrás do que quer.

Uma das coisas que faz praticamente qualquer pessoa dar uma virada é alcançar um limiar da dor. Significa experimentar dor num nível tão intenso que você sabe que tem de mudar agora. (…) Se você já tentou muitas vezes promover uma mudança e fracassou, isso significa que o nível de dor por fracassar na mudança não foi bastante intenso. Você não alcançou o limiar da dor.

Robbins diz que o porquê, ou seja, as razões da mudança, são muito mais importantes do que o como. Se reunirmos um conjunto bastante forte de razões para mudar, podemos mudar rapidamente algo que levamos anos sem conseguir mudar.

O passo dois deve ser completado com as perguntas “O quanto vai me custar se eu não mudar? E se eu mudar, como isso fará com que eu me sinta em relação a mim mesmo?”

3. Interrompa o padrão limitador

Interrompa o padrão

Depois de obter razões suficientes, precisamos mudar o comportamento limitador. Se continuarmos fazendo as mesmas coisas de sempre, nunca obteremos resultados diferentes.

O que se propõe no terceiro passo é romper o padrão, de preferência da forma mais clamorosa possível. Se você quer parar de beber, por exemplo, quebre todas as garrafas que tem na sua casa, jogue tudo na pia, tire fotos disso e publique na internet, assuma um compromisso público, visite os Alcoólicos Anônimos (mesmo que não seja um alcólatra).

A ideia é causar impacto e simplesmente parar de fazer o que fazia antes. Assim, o seu hábito de fazer aquilo dia após dia vai se enfraquecendo, até sumir.

4. Crie uma alternativa fortalecedora

Nós não conseguimos ficar muito tempo sem fazer nada. Digamos que você decidiu cortar o excesso de videogame, parar de assistir à televisão, deixar de navegar em sites de fofocas ou eliminar 500 seguidores no Twitter.

Se você não criar alternativas para o que vai fazer quando deixar de lado os velhos hábitos, cairá no tédio e seu cérebro vai começar a considerar que o padrão anterior era mais prazeroso.

O quarto passo diz para criarmos uma alternativa fortalecedora. Ok, vou deixar de assistir televisão. E com o tempo que ganharei, vou passar a estudar guitarra. Ou vou fazer voluntariado com crianças. Ou vou estudar sobre investimentos financeiros. Você pegou a ideia.

5. Condicione o novo padrão até que seja consistente

Condicione padrão

Os seres humanos são criaturas de hábitos. Isso pode ser ruim, quando os hábitos são negativos, mas pode ser muito bom, quando os hábitos são positivos.

Uma vez que você começa a praticar sua alternativa fortalecedora, ela vai ficando mais simples. O cérebro vai ficando condicionado ao novo hábito até que, dentro de pouco tempo, ele se torna parte de você. Especialistas dizem que se leva entre 21 e 66 dias consecutivos para formar um novo hábito.

O começo é sempre o mais difícil, mas dia após dia vai ficando mais fácil. Pense sempre no longo prazo. Se você estudar um pouco de educação financeira hoje, amanhã e depois de amanhã e seguir consistente nesse ritmo, como estarão suas finanças daqui a dez anos?

Se você faz exercícios e se alimenta bem todo dia, como será o seu corpo daqui a seis meses?

Qualquer padrão de emoção ou comportamento que seja reforçado de um modo contínuo se tornará uma reação automática e condicionada. Qualquer coisa que deixarmos de reforçar acabará por se dissipar.

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6. Experimente mudar de vida!

O último passo é o da avaliação. Se você seguiu os cinco passos acima e alguma coisa ainda não está funcionando, experimenta novas estratégias. Se as novas estratégias não funcionarem, experimente outras. Se as outras não funcionarem, experimente mais algumas.

Até quando?

Até você conseguir o que quer! O processo de mudança não é apenas sobre o destino, é sobre a jornada até ele. Divirta-se com o processo e vá aprendendo a tirar prazer dos avanços, mesmo que pequenos, que vão sendo feitos.

Thomas Edison errou mais de mil vezes antes de conseguir criar a lâmpada. Cada vez que ele não conseguia, em vez de se queixar e largar tudo, ele pensava: acabei de aprender uma nova forma de não criar a lâmpada. E você, vai desistir ou seguir em frente nos seus desafios?

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3 Comentários

  1. Excelente texto! Achei muito interessante a associação com a dor, a substituição por outra atividade e sobre se divertir durante a jornada. Vou utilizar essa questão da associação com a dor para evitar a procrastinação, ótima ideia. A questão de se divertir achei genial porque se ficarmos vendo a mudança como sofrimento, tudo se tornará ainda mais difícil. Vejo isso claramente nas mudanças de hábitos que estou adotando. É importante focar no resultado e se sentir feliz durante todo o processo, ver o progresso é algo muito gratificante!
    Por fim, sempre estaremos diante de “tentações”. Numa dieta, sempre aparecerão vontades, sempre aparecerão alimentos que você gostaria de comer. Durante um estudo, sempre aparecerão atividades que você gostaria de fazer, vontade de ficar na internet ou qualquer outra coisa. Ter autodisciplina e consistência determinará seu sucesso. Não é fácil, mas depois que vira hábito você acha estranho fazer diferente ou até se critica pelo hábito antigo, é incrível o funcionamento da mente humana!
    Parabéns pelo resumo desses pontos do livro do Robbins, gostei muito!
    Abraço!

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    • Seu comentário foi muito positivo. Aprendi com ele também! Sucesso na sua jornada!!! Muito agradecida!

      PS.: O texto da matéria está fantástico!!! Padrão Mude.nu. Amo!

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  2. Essa ideia de dor vs. prazer é muito interessante e faz bastante sentido. Provavelmente é uma das maneiras mais eficazes de lidar com a procrastinação. Leva um tempo para adquirir o hábito de pensar a longo prazo desse jeito mas vale a pena o esforço.

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