Falta de tempo é um dos empecilhos mais alegados para não cumprirmos atividades desafiadoras. Por que você não consegue escrever seu livro, treinar para um triatlo ou mochilar pelo mundo? Por falta de tempo, em boa parte causada por excesso de informação.

Mas, para onde está indo o seu tempo? Se você é como a maioria dos brasileiros: para o trânsito, para a internet e para a televisão.

Como fazer, então, para dar uma limpada na vida e liberar tempo para nos dedicarmos a coisas mais importantes? Falamos sobre soluções para o trânsito neste post, agora vamos tratar sobre como livrar-se dos sugadores de tempo da internet.

A Era da Distração

Acadêmicos como Peter Drucker e Daniel Bell batizaram a época após a Era Industrial, sobretudo a partir de 1980, de Era da Informação.

Estaríamos na época em que a tecnologia da informação e da comunicação diminui distâncias, socializa conhecimento, dá acesso à informação e permite que cada pessoa torne-se não apenas consumidor, mas também difusor de informação.

Na teoria, é tudo brilhante. Na prática, empresas de comunicação – novas e antigas – aprenderam, com o imenso poder das métricas na internet, que tipos de notícias são mais e mais consumidos. O objetivo é fazer o usuário passar mais tempo navegando no site, aumentar as estatísticas e assim ter um poder de barganha maior na hora de vender publicidade.

Antigamente havia uma restrição de espaço em jornais e revistas. O papel era limitado. A capacidade de armazenamento nos sites praticamente não tem limitação, com servidores cada vez mais baratos.

Se você gosta de futebol, antigamente gastava 90 minutos vendo o jogo da semana e mais alguns minutinhos por dia lendo as notícias no jornal ou vendo o Globo Esporte.

Hoje em dia, há jogos todos os dias, canais com 24 horas de informação esportiva e incontáveis sites que tratam não apenas do jogo, mas também do cabelo dos jogadores, das fofocas entre os técnicos, dos ensaios sensuais das torcedoras dos times, dos salários das estrelas… a lista é interminável. O mesmo acontece com novelas, cinema, política, música… não importa o assunto pelo qual você se interessa.

A bem da verdade, a maioria dessa informação nada mais é do que excesso. Pode simplesmente ser descartada que não fará a menor falta. Qual é a utilidade de saber que Michael Bay brigou com a Megan Fox, que Neymar pintou o cabelo de loiro ou que Geisy Arruda usou um vestido transparente para ir ao teatro. Basta ver o filme, assistir ao jogo, ir ao teatro.

Esse tipo de não-notícia antigamente restringia-se a sites de fofocas. Hoje elas são uma verdadeira praga, tomando boa parte da home dos principais portais do país. Não importa se você quer ler sobre esportes, economia, política ou cultura, as não-notícias estarão lá, consumindo seu tempo e sua atenção.

Ontem o Eduardo Fernandes publicou no Caos Ordenado o vídeo abaixo, em que o consultor Brad Frost faz uma crítica ao crescimento do volume de publicação e distribuição de conteúdo que ocorreu em 2012.

Se você não entende inglês, encare este desafio.

Por conta do que Frost fala, arrisco a dizer que não estamos mais na Era da Informação e sim na Era da Distração. Para onde quer que olhemos na internet, deparamo-nos com o que Frost chama de bullshit.

Você não precisa nem sair do Mude.nu para ver tralha por todo canto: três banners, uma dezena de links na barra lateral, ícones de compartilhamento em rede sociais, box para fanpage do Facebook, posts relacionados, outra dezena de links no rodapé. Nada disso é essencial.

Criando novos hábitos

O jornalista Clay Johnson analisou o problema de forma mais profunda e publicou um excelente livro chamado Information Diet.

Fazendo um paralelo com a epidemia de obesidade surgida após o advento da indústria de alimentos, Johnson advoga que o problema não é o excesso de informação e sim o excesso de consumo de informação. Para ele, trata-se de um novo tipo de ignorância.

A solução, então, não seria filtros ou mais tecnologia e sim a criação de novos hábitos e escolhas inteligentes.

Assim como as empresas de alimentos aprenderam que, se eles quiserem vender um monte de calorias baratas, devem empacotá-las com sal, gordura e açúcar, as empresas de mídia aprenderam que afirmação vende muito mais que informação. (…) A obesidade de informação não é algo novo. Assim como era possível ser obeso 500 anos atrás, também era possível experimentar esse novo tipo ignorância há 500 anos. Era apenas mais caro e você teria que trabalhar duro nisso. Agora, no entanto, vivemos em um mundo de abundância…

Johnson faz questão de deixar claro que a responsabilidade não pode ser jogada para computadores, redes sociais ou empresas de comunicação. A responsabilidade por consumir excesso de informação inútil é toda sua. Em outras palavras, não é excesso de informação que nos suga o tempo e sim o hábito de ficar consumindo informação indefinidamente.

Para o autor, técnicas como desligar o computador, tirar períodos sabáticos, instalar filtros e quejandos são apenas maneiras de evitar o problema real: nossos próprios maus hábitos.

Por outro lado…

O pensamento central do pensamento de Johnson faz sentido, porém uma das maneiras mais eficientes de criar novos hábitos é justamente evitar o contato com aquilo que você está tentando evitar. É por isso que um viciado em drogas tem mais chances de ser bem sucedido em uma clínica de reabilitação ou qualquer outro local que não tenha acesso a drogas do que em casa ou na rua.

Então, sim, o foco para liberar mais tempo e evitar o consumo excessivo de informação tem que ser na criação de novos hábitos, mas esta pode ser imensamente facilitada se você souber se proteger do bombardeio de informações.

E como fazer isso? Utilizando filtros, bloqueios e cortando tudo o que está em excesso. Vejamos como fazer isso na prática.

Como evitar a exposição excessiva à informação

A seguir estão algumas ideias simples que podem o libertar dos sugadores de tempo e liberar seu dia e sua energia para fazer uma aula de dança, aprender a cozinhar ou a tocar um instrumento.

Se você não sabe quais os sites que mais consomem o seu tempo, instale o Rescue Time, utilize por um tempo e depois observe o relatório.

Como reduzir o tempo gasto no Facebook

O Facebook atualmente é a maior rede social do mundo e onde boa parte dos brasileiros passa uma significante fração do tempo que gasta online.

Bastam apenas algumas dezenas de amigos e você já será inundado momento a momento com atualizações de status, fotos de comida, tirinhas com piadas chupadas do 9gag e notificações vermelhinhas no topo da página.

A saída mais radical é cometer facebookcídio e abandonar de vez a rede social do Zuckão. Acredito, entretanto, que a ideia inicial da rede é ótima. Conectar-se com pessoas de outras épocas, manter contato com parentes distantes, partilhar opiniões.

A solução para o Facebook parece ser filtrar tudo o que é irrelevante. Gasta-se um pouco de tempo no início, mas isso é retribuído em maior monta no longo prazo.

Como parece ser rude recusar uma solicitação de amizade de alguém que você conhece, mas que na verdade não tem interesses em comum, tudo o que você tem a fazer é desmarcar a opção de receber as atualizações dessas pessoas. Em poucos passos:

  1. Vá ao seu Feed de Notícias
  2. Clique na setinha que aparece no canto superior direito de uma publicação quando você está com o mouse por lá
  3. Clique em ocultar (isso serve apenas para você ocultar aquela publicação específica)
  4. Abaixo da mensagem Este histórico agora está oculto do seu Feed de notícias aparece um link Altere quais atualizações você recebe de Marina (desculpa aí, Marina!). Modifique a opção marcada para Somente atualizações mais importantes e desmarque abaixo os tipos de atualizações que você não gostaria de ver (jogos, fotos, eventos etc.)
  5. Repita o processo com a próxima vítima pessoa. Com uma semana ou menos você já terá eliminado boa parte do ruído, principalmente das pessoas que publicam demais.

Fazendo isso, a pessoa continua sua amiga e você pode trocar mensagens com ela, mas não vai precisar ficar vendo tudo o que ela publica. Tenho quase 600 amigos por lá. Ver o que toda essa gente está fazendo todo dia o dia todo não está nos meus planos, simplesmente não é necessário.

Fuçando em Configurações da conta você pode encontrar outros filtros e opções para reduzir o ruído no seu Feed de Notícias.

Como reduzir o tempo gasto em sites diversos

Primeira opção: Desligue o computador (ou a internet), se o trabalho que você vai fazer não precisa de um dos dois.

Segunda opção: Bloqueie os sites dos quais você quer se livrar no sistema operacional. Isso vai fazer com que você não mais consiga acessar o site, de nenhum navegador. Só execute essa opção se você for um usuário mais avançado e souber o que está fazendo. Não nos responsabilizamos se você detonar seu OS.

[toggle title=”Como bloquear sites no Windows XP, Vista e Seven”]

Até o Windows 7, você só precisa abrir o arquivo hosts em C:\WINDOWS\SYSTEM32\DRIVERS\ETC e adicionar, abaixo da última linha, 127.0.0.1 www.endereço-do-site.com.

Se você quer bloquear vários endereços, basta ir adicionando linha a linha os endereços dos sites que quer bloquear, sempre antecedidos por 127.0.0.1.

Depois, para desbloquear, é só abrir o arquivo novamente e apagar a respectiva linha.[/toggle]

[toggle title=”Como bloquear sites no Mac OS”]Abra o aplicativo Terminal e cole na janela o seguinte comando (traduza o caminho, se necessário):

sudo /Applications/TextEdit.app/Contents/MacOS/TextEdit /etc/hosts

Dê um enter e, após inserir sua senha, será aberto o arquivo hosts no editor de texto. Aí é só adicionar, abaixo da última linha, 127.0.0.1 www.endereço-do-site.com.

Se você quer bloquear vários endereços, basta ir adicionando linha a linha os endereços dos sites que quer bloquear, sempre antecedidos por 127.0.0.1.

Depois, para desbloquear, é só abrir o arquivo novamente e apagar a respectiva linha.[/toggle]

Terceira opção: Bloquear sites no navegador. Essa opção é a mais recomendada, visto que você precisa apenas instalar uma extensão para o navegador e em seguida informar quais os sites que deseja bloquear.

[toggle title=”Como bloquear sites no Google Chrome”]Vá à Chrome Web Store e faça uma pesquisa por “Block site”. Instale a extensão e configure, informando quais os sites que deseja bloquear.[/toggle]

[toggle title=”Como bloquear sites no Mozilla Firefox”]Vá às extensões (Add-ons) e faça uma busca por “BlockSite” ou “LeechBlock”. Instale a extensão e configure, informando quais os sites que deseja bloquear.[/toggle]

[toggle title=”Como bloquear sites no Internet Explorer”]Baixe o Google Chrome ou Mozilla Firefox. Use uma das duas opções acima. Pare de usar o Internet Explorer.[/toggle]

Quarta opção: Estabelecer um limite de tempo gasto em cada site. Você pode fazer isso manualmente, cronometrando o tempo que gasta em cada site, ou instalando um aplicativo para fazer o serviço. No Mozilla Firefox, a extensão LeechBlock faz isso. No Chrome, procure pela extensão StayFocusd.

Como fazer a informação vir até você

Um argumento contra o bloqueio de sites ou mesmo contra a dieta de informação como um todo é o medo de ficar desinformado.

Apesar de achar que ficar desinformado pode ser uma boa coisa (você não precisa saber que Maria Gadú vai usar saia pela primeira vez), este é um argumento válido.

A melhor forma para solucioná-lo é recorrendo a um canal de informação sério e conciso. Você pode voltar um pouco no tempo e assinar um jornal e se ater a fazer uma leitura diária. Com o jornal em mãos é mais difícil você sair clicando link após link até perceber que todo o seu dia de trabalho foi embora.

Outra opção, se não houver veículo impresso que cubra suas necessidades, é fazer a informação vir até você. Isso pode ser feito com ajuda do Google Notícias:

  1. Acesse o Google Notícias com sua conta Google
  2. Faça uma busca com os termos de seu interesse
  3. Ao final da página de resultados, clique em “Criar um alerta de e-mail”. Na frequência, você pode optar por receber o e-mail sempre que a notícia surgir, uma vez por dia ou uma vez por semana

Por fim, você pode também selecionar alguns poucos sites de qualidade que sejam de seu interesse e assinar os feeds RSS usando aplicativos como o Feedly.

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Publicado por Walmar Andrade

Criador do Mude.nu, Walmar Andrade é bacharel em Comunicação Social, com extensão em jornalismo on-line (UFPE), MBA em Planejamento, Gestão e Marketing Digital (FECAP-SP) e Master en Comunicación Empresarial (INSA-Barcelona). Escreve sobre comunicação e marketing digital no blog Fator W.

2 Comentários

  1. Um aplicativo no Chrome para o facebook é o Kill News Feed.
    Ele tira o feed de noticias. Isto é muito bom para quem como eu precisa acessar certo grupo ou conversar com alguma pessoa. É só desativar quando quiser ver o feed. Também pode ver somente as páginas ou melhores amigos.

    Responder
  2. Já cometi facebookcídio uma vez, mas acabei voltando, porém dessa vez estou mais consciente, não fico rolando muito o feed de notícias por tempo indeterminado, às vezes nem rolo. Só entro para ver se há alguma notificação importante e para atualizar algumas páginas comerciais e de conteúdo que alimento. Às vezes fico até 3 dias sem entrar e quando me dou conta disso fico muito satisfeita!
    Ouvi uma vez que as redes sociais nos afastam das pessoas importantes de nossas vidas e nos aproximam das menos importantes e acho que é por aí mesmo… Porém tem algumas vantagens que infelizmente ainda não podem ser substituídas, como ficar por dentro de cursos e eventos de seu interesse, por exemplo, então só nos resta tentar usar com moderação e muitos filtros.
    Abraços!

    Responder

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