A segunda temporada de House of Cards, em 2014, terminou com Frank Underwood (Kevin Spacey) chegando ao apogeu de sua carreira política.

Se todo o desenrolar da história até então mostrava a inescrupulosa jornada de Frank e sua esposa Claire (Robin Wright) rumo ao topo do mundo, o que a terceira temporada reservaria agora que eles chegaram lá?

A resposta não demora muito a aparecer. Logo nos primeiros episódios, fica claro que a luta do casal agora é não somente completar o mandato de Garrett Walker (Michel Gill), mas buscar a reeleição.

Ou seja, não basta ter chegado à Casa Branca. Frank Underwood quer permanecer lá. Mas agora vai depender do voto do povo.

House of Cards

O problema é que toda a desenvoltura de Frank como articulador político não se repete no Frank gestor.

O seu governo é uma crise constante e a relação com o Congresso se deteriora a cada episódio.

A qualidade dos episódios nesta terceira temporada de House of Cards mantém o altíssimo nível das duas primeiras temporadas, com destaque para a introdução de três personagens: o escritor Tom Yates (Paul Sparks), a jornalista Kate Baldwin (Kim Dickens) e principalmente o presidente russo Petrov (Lars Mikkelson). Este último, genial no papel.

House of Cards - Petrov

Por outro lado, o destaque dado ao subplot de Doug Stamper (Michael Kelly) e sua obsessão por Rachel parece demasiado. Principalmente pelo fato de a sua distância do casal Underwood deixar-nos muito distantes dos protagonistas. O personagem acaba ganhando mais destaque do que merecia.

O ponto alto da série continua sendo a relação pragmática entre Frank e Claire.

Se a loira já dava sinais de que ia desmoronar ao final da segunda temporada, aqui a sua figura de mármore, em que cada movimento parece friamente calculado, deteriora-se episódio após episódio.

A série, inclusive, dá já algumas dicas do que podemos esperar na quarta temporada, em 2016.

Enquanto Claire finalmente vai se abrindo, Frank continua difícil de ler. A quebra da quarta parede é bastante reduzida nesta temporada e o distanciamento de Claire deixa o presidente ainda mais obscuro.

A questão da sexualidade dele permeia vários episódios, abrindo diversas possibilidades de interpretação. Nesse aspecto, a presença do Presidente da Rússia é um contraponto sutil e extremamente interessante.

House of Cards continua sendo um dos melhores produtos já feitos para a televisão, com uma trama difícil – que algumas vezes nos torna cúmplices e até mesmo entusiastas de um casal de assassinos.

Que venha a campanha presidencial em 2016.

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Publicado por Walmar Andrade

Criador do Mude.nu, Walmar Andrade é bacharel em Comunicação Social, com extensão em jornalismo on-line (UFPE), MBA em Planejamento, Gestão e Marketing Digital (FECAP-SP) e Master en Comunicación Empresarial (INSA-Barcelona). Escreve sobre comunicação e marketing digital no blog Fator W.

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