A Guerra dos Tronos (Editora LeYa, 2010), primeiro livro da série As Crônicas de Gelo e Fogo de George R. R. Martin, é uma verdadeira lição de storytelling.

A capacidade de contar histórias relevantes e que prendem o leitor mostra o porquê de a HBO ter pago alguns milhões de dólares ao autor para adaptar para a televisão a guerra pelo trono dos Sete Reinos de Westeros.

Martin é um escritor prolixo, de escrita lenta, mas que sabe fazer uma literatura de entretenimento de altíssima qualidade, não indo nem aquém nem além do que deveria.

O mundo milenar criado por ele é intrigante, misturando elementos tradicionais da política de todos os tempos com histórias de cavalaria e umas boas doses de realismo fantástico.

A maneira como o autor divide as quase 600 páginas do primeiro livro em pequenos capítulos que narram a história sob o ponto de vista de diversos personagens é perfeita para a maneira como as pessoas consomem conteúdos hoje em dia.

Guerra dos Tronos Livro

Pode parecer óbvio hoje, mas é preciso lembrar que A Guerra dos Tronos, apesar de ter chegado ao Brasil apenas em 2010, foi lançado no longínquo ano de 1996 nos Estados Unidos.

Outro mérito do escritor é jogar-nos não no início de uma história, mas sim no meio dela.

Não por acaso, esse primeiro livro da série é apontado como um dos melhores, levando-o a ser comparado com clássicos como O Senhor dos Anéis e As Crônicas de Nárnia.

É verdade que este livro inicial começa contando como o Rei Robert Baratheon vai deixar a coroa vaga para desencadear a Guerra dos Tronos que dá título ao livro.

Ao longo dos capítulos, entretanto, vamos descobrindo que essa história na verdade começou anos antes, com a revolução que derrubou a dinastia Targaryen e colocou Robert Baratheon no poder.

Quando ele cai, vemos pelo menos cinco famílias ou reivindicando a coroa ou com pretensões separatistas.

Embora a disputa pelo poder seja o grande motor da história, diversos enredos paralelos ajudam a construir o mundo fantástico de As Crônicas de Gelo e Fogo.

Basicamente, temos três linhas narrativas para a história.

No continente de Westeros, temos os Sete Reinos unificados. Quando o Rei Robert Baratheon deixa a coroa vaga, seu filho (para muitos, um bastardo) e seus dois irmãos postulam o Trono de Ferro.

Essa história nos é apresentada pelo ponto de vista de Ned Stark, amigo do Rei Robert e alçado ao cargo de Mão do Rei após o assassinato do antigo ocupante.

A história das Crônicas de Fogo e Gelo é muito a história da separação da família Stark.

Os cinco filhos legítimos de Ned, mais um bastardo e um protegido, dispersam-se por Westeros após os acontecimentos iniciais da trama.

Robb Stark, o mais velho, vem a ser mais um postulante a rei, embora não exatamente do Trono de Ferro.

Job Snow, o bastardo, é enviado para a fronteira ao norte dos Sete Reinos, onde existe A Muralha, uma antiga barreira de gelo de mais de 210 metros de altura e 480 quilômetros de extensão, populada pela irmandade da Patrulha da Noite.

A leste dali, no continente de Essos, acompanhamos a história dos dois últimos representantes da família Targaryen, que ocupava o trono antes dos Baratheon.

O covarde Viserys e a menina Daenerys vivem a fugir de assassinos contratados pelo Rei e a planejar uma maneira de retomar o Trono de Ferro.

Guerra dos Tronos e as mortes de George R. R. Martin

George R. R. Martin

George R. R. Martin

George R. R. Martin já revelou diversas vezes que se inspirou em histórias da Idade Média e da era das Cruzadas para escrever sua série de livros.

Isso pode explicar as impactantes reviravoltas que acontecem ao longo de Guerra dos Tronos. Reviravoltas que não estamos acostumados a ver e que por isso mesmo deixam a leitura tão agradável.

Antes de enveredar pela leitura, lembre-se que a série já possui cinco livros publicados (com 600 a 900 páginas cada) e mais dois ainda estão por vir.

Embora os três primeiros tenham saído com um intervalo de dois anos cada, Martin diminuiu o ritmo a partir do quarto (de 2005) e do quinto (2011).

Foi em 2011, aliás, que a série televisiva estreou, com muito sucesso, fazendo o autor colher os louros da fama e deixar de lado a escrita. Aos 67 anos, acima do peso e com um estilo de vida nada regrado, muitos temem que George R. R. Martin não consiga terminar a série.

Que os Deuses, novos e antigos, o protejam.

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Publicado por Walmar Andrade

Criador do Mude.nu, Walmar Andrade é bacharel em Comunicação Social, com extensão em jornalismo on-line (UFPE), MBA em Planejamento, Gestão e Marketing Digital (FECAP-SP) e Master en Comunicación Empresarial (INSA-Barcelona). Escreve sobre comunicação e marketing digital no blog Fator W.

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