O inverno chegou. Todos os homens devem morrer.

Duas das mais famosas “profecias” de Game of Thrones começaram de fato a acontecer nos dez episódios desta quinta temporada, que se iniciou em ritmo lento para surpreender a todos, mais uma vez, no final.

Se há uma grande marca para esta temporada de 2015 é o fato de, a partir de agora, a série de televisão seguir seu próprio caminho.

Isso porque o seriado, como muitos temiam, alcançou o último livro lançado por George R. R. Martin, A Dança dos Dragões, de 2011 (coincidentemente, ano em que a série estreou na TV).

Se é verdade que Martin passou suas ideias do que deve acontecer com os principais personagens no sexto e, quem sabe, no sétimo livro, também é verdade que os roteiristas tiveram que utilizar muitas de suas próprias ideias para dar seguimento ao seriado. Uma baita responsabilidade nas mãos dos showrunners David Benioff e DB Weiss.

O resultado é controverso. A quinta temporada inicia-se mais lenta do que o de costume e passamos os primeiros episódios com aquela sensação de que nada de realmente importante está acontecendo. Com o avançar dos episódios, a narrativa vai melhorando, embora ainda seja muito desigual entre os núcleos.

Por exemplo, a trama do resgate da Princesa Myrcella em Dorne é sem dúvida a mais fraca de toda a série até aqui. Jaime Lannister parte em busca da filha acompanhado de Bronn, mas encontra uma princesinha apaixonada pelo seu noivo arranjado.

E as Serpentes de Areia, que geraram tanta expectativa, acabam tendo apenas uma cena realmente boa.

serpentes-de-dorne

O núcleo de Stannis Baratheon também foi outro que apresentou irregularidade. O personagem da TV não faz jus ao excelente estrategista que o irmão do Rei Robert é nos livros. Em certos momentos, parece ele apenas um mero fantoche da feiticeira Melisandre.

Paradoxalmente, é desse núcleo uma das cenas mais marcantes da quinta temporada, com o sacrifício de Shireen Baratheon no penúltimo episódio.

Falando em cenas marcantes, o estupro de Sansa Stark por Ramsey Bolton foi outra que deu o que falar. Colocar Sansa nesta situação foi uma das melhores adaptações que a TV fez em relação aos livros, servindo para marcar dois personagens importantes.

O núcleo de Winterfell, aliás, foi um que se desenvolveu bem, com destaque para o conflito interno de Theon Greyjoy, pagando por todos os seus pecados.

Game of Thrones

Quem também busca expiar os seus pecados é Tyrion Lannister. O anão começa a temporada com ajuda de Lord Varys fugindo, depois de ter matado o próprio pai e a mulher que ama. Após de uma série de contratempos, o personagem preferido de muitos acaba por finalmente encontrar Daenerys Targaryen em Meereen.

É lá onde vemos, pela primeira vez, a fúria de um dragão. Em um momento muito aguardado pelos fãs, vemos Drogo salvando sua “mãe” e queimando tudo o que vê pela frente. Ponto para a série, no entanto, em mostrar as fragilidades do animal, que está longe de ser indestrutível como contam as lendas.

Lendas que se provaram verdadeiras para além da Muralha.

Em um momento Walking Dead, pudemos ver Jon Snow e os irmãos da Patrulha da Noite dando de cara com zumbis e White Walkers ao tentar cooptar selvagens.

Decisão polêmica que acabaria por selar (ou não?) o destino do bastardo Stark na última e surpreendente cena da temporada.

O sobrenatural também está bastante presente na trama de Arya Stark e Jaqen H’ghar no templo do Deus de Muitas Faces.

A arredia filha de Ned Stark finalmente encontra meios para executar seu desejo de vingança, mas logo em seguida é punida duramente por segui-lo.

Cersei Lannister, Game of Thrones

Por fim, a passagem mais interessante desta temporada foi a punição de Cersei Lannister. A rainha-mãe, que deu poder excessivo aos fanáticos religiosos a fim de punir Margaery Tyrell, acabou sendo mordida pelas próprias criaturas.

A caminhada de expiação de Cersei, nua e privada de seus marcantes cabelos dourados na frente de toda a cidade, deixou mesmo aqueles que odeiam a mãe do rei com certa pena da incestuosa. Pena que logo passa quando vamos o olhar de vingança de Cersei nos braços de um renascido Montanha.

Não dá para deixar de comentar a temporada, no entanto, sem citar o estranho sumiço de alguns personagens.

O Rei Tommen, por exemplo, é uma nulidade. Os arcos de Margaery e Loras Tyrell ficam jogados ao vento. Assim como o paradeiro de Petyr “Littlefinger” Baelish. E Brienne de Tarth passa a temporada inteira Esperando Godot.

Teremos que esperar mais um longo ano para saber o que acontece a esses e outros personagens, torcendo para que George R. R. Martin acelere o processo de escrita de The Winds of Winter ou, ao menos, revele mais de suas ideias aos showrunners da HBO.

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Publicado por Walmar Andrade

Criador do Mude.nu, Walmar Andrade é bacharel em Comunicação Social, com extensão em jornalismo on-line (UFPE), MBA em Planejamento, Gestão e Marketing Digital (FECAP-SP) e Master en Comunicación Empresarial (INSA-Barcelona). Escreve sobre comunicação e marketing digital no blog Fator W.

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