Uma dúvida comum costuma pairar sobre as cabeças de pessoas que estão começando a pensar melhor sobre educação financeira: quais as principais diferenças entre investir em Fundos de Investimento que aplicam em ações e passar a operar diretamente na compra de ações?

Apliquei dinheiro em fundos de renda variável do Banco do Brasil entre 2002 e 2009, mais ou menos. Esses fundos recolhem dinheiro de clientes do banco e aplica sobretudo em ações. Existem alguns específicos que aplicam majoritariamente na Petrobrás, na Vale do Rio Doce ou que simulam o Índice Bovespa.

Você pode estar se perguntando, então, que, se eles aplicam nas ações, dá no mesmo que se você for comprar diretamente, já que a ação sobe ou desce do mesmo jeito. Em parte isso é verdade, mas existem algumas diferenças fundamentais:

Bolsa de valores de ações

Comprar direto ou não comprar?

  • O fundo cobra uma taxa de administração que variável (cerca de 2% em média)
  • O fundo é obrigado por seu contrato a sempre deixar a maior parte do dinheiro em ações, mesmo que o mundo caia
  • No fundo você sempre paga Imposto de Renda sobre os rendimentos (comprando diretamente ações, você só paga quando o valor da venda supera R$ 20.000,00)
  • Se você pede para tirar seu dinheiro hoje, a ordem só é executada dois ou três dias depois (com ações, é na hora)
  • O fundo só permite aplicações acima de determinado valor (geralmente R$ 200,00) enquanto nas ações não há preço mínimo
  • No fundo você não pode operar com mecanismos de stop, que são uma proteção para o caso de quedas acentuadas

Claro que também há vantagens em aplicar através de fundos. Todas elas aplicáveis a quem não sabe ou não quer mexer diretamente com ações. Eles são uma forma de quem não tem esse conhecimento poder também aproveitar os rendimentos da renda variável. O que você está fazendo é “terceirizando” a administração do seu capital para um grupo de profissionais que sabe como aplicar esse dinheiro, embora “amarrados” pelas regras do fundo.

Enquanto eu não tinha conhecimento maior sobre a bolsa, valeu muito a pena (só no primeiro ano do Fundo PIBB, no início da década, o rendimento foi de cerca de 75%). Depois de aprender como aplicar diretamente, é possível cortar os intermediários e ir direto ao mercado com mais flexibilidade e menos taxas no meio do caminho.

Atualmente, acredito que a estratégia mais inteligente para o investidor médio é comprar os ETFs (Exchange Traded Funds), que são fundos espelhados em índices, com cotas negociadas em Bolsa da mesma forma que as ações. Existem ETFs que acompanham o Ibovespa, o PIBB e até mesmo ações de empresas de menor porte (as chamadas small caps).

Com os ETFs, você tem a vantagem da diversificação dos fundos, combinada com as vantagens de ser uma compra direta por meio do home broker (podendo retirar seu dinheiro quando quiser, usar stop, aplicar qualquer quantia etc.).

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Publicado por Walmar Andrade

Criador do Mude.nu, Walmar Andrade é bacharel em Comunicação Social, com extensão em jornalismo on-line (UFPE), MBA em Planejamento, Gestão e Marketing Digital (FECAP-SP) e Master en Comunicación Empresarial (INSA-Barcelona). Escreve sobre comunicação e marketing digital no blog Fator W.

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