Há alguns anos, uma grande onda de concursos públicos está abrindo excelentes oportunidades de empregos para quem se dedica a estudar e se tornar um funcionário público.

O funcionalismo público, depois de décadas em segundo plano, vem sendo novamente valorizado. O resultado são salários iniciais e condições de trabalho bastante atraentes.

As pessoas que acreditam que a os empregos públicos são uma excelente pedida argumentam que eles oferecem, já de início, em boa parte dos cargos, salários acima do que é pago na média das empresas privadas.

Além disso, contam com outras vantagens como uma maior estabilidade, benefícios mais generosos e uma jornada de trabalho regulada, longe da exploração praticada em muitos setores da economia.

Já os que são contra, afirmam que o problema com esse tipo de emprego é que ele estabelece um teto para sua renda e dali você não passará. Além disso, citam o risco de acomodação por conta da estabilidade, o que pode gerar profissionais defasados e mesmo desmotivados.

Vale ressaltar que esse tipo de dicotomia não é exclusiva do Brasil. Em boa parte dos países do mundo, o estudo de como estimular e como remunerar funcionários públicos é levado bastante a sério.

O que se diferencia no momento é que o Estado brasileiro passou anos sem abrir novas oportunidades e sem reajustar salários. Quem é um pouco mais velho lembra que, na década de 1980, ser funcionário público não era das melhores opções.

Quando o Brasil voltou a crescer a taxas mais generosas, entre 2002 e 2008, a máquina estatal vem se expandindo e repondo os funcionários que se aposentaram ou saíram por qualquer razão.

Vale a pena ser funcionário público no Brasil?

Funcionário público

Não existe uma resposta único para a grande dúvida.

Se você é um profissional que acredita estar mais trabalhando do que vivendo e mesmo assim não consegue fechar as contas, talvez ser funcionário público seja uma boa pedida para você.

Já se você é alguém que sabe que pode ter ganhos proporcionais à qualidade do seu trabalho, talvez ficar em uma empresa privada que remunere por produtividade seja uma pedida melhor. Ou quem sabe até abrir a própria empresa.

O que precisa ser extirpado é o preconceito contra o funcionário público. A ideia de que o funcionário público é um ser relaxado, que só bate ponto na repartição e trabalha muito pouco para ganhar muito, é falsa.

Quem critica os que optaram por seguir a carreira pública deveria parar para pensar em qual realmente o modelo que queremos para a vida.

Passar 80% do nosso tempo acordado trabalhando para o patrão para bater metas muitas vezes não condizentes com o mercado e com a própria capacidade humana? Receber um salário abaixo do que poderia ser pago?

Claro que existe funcionário público desse tipo, como também existem funcionários de empresas privadas que seguem essa mesma linha. Generalizar com base em preconceitos e “ouvi dizer” só ajuda a formar falsos estereótipos.

Outro ponto para se analisar é a fuga de profissionais qualificados do setor privado para o público. Com salários e condições mais atrativas, ao menos para quem está em início de carreira, pessoas de grande capacidade passam em concursos concorridíssimos e acabam desfalcando empresas que investiram em sua formação.

A questão é: isso é um problema do Estado ou das empresas que não conseguem segurar seus funcionários? Deveria o Estado pagar menos e ficar com piores profissionais?

O crescimento do país depende apenas do desenvolvimento econômico criado pelas empresas ou também pela competência dos funcionários públicos que tocam a máquina estatal?

Você pode ser um bom ou mau profissional estando numa empresa pública ou privada. Você pode viver a vida de forma intensa ou totalmente desmotivado sendo funcionário público ou de uma empresa particular. Como diria Tyler Durden: você não é o seu emprego.

Por fim, vale a pena lembrar-se de que nada é definitivo na vida.

Você pode muito bem experimentar um concurso público, passar, tornar-se um funcionário público e ver se acha melhor o ambiente de trabalho em um órgão estatal ou se prefere voltar para a iniciativa privada.

Ou se não quer nenhum dos dois e vai tentar outro tipo de carreira, como autônomo ou empresário.

Experimente todas as possibilidades, escolha a que é melhor para você no momento e não se importe com críticas e estereótipos que outros tentem lhe impor.

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4 Comentários

  1. Grande Tyler!

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  2. Aqui não registra nem a carteira de trabalho,que horror,ser funcionário publico em praia grande.

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  3. Sou funcionária pública e não vejo vantagem nenhuma. É muita cobrança, tem momentos em que somos humilhados e não ganha tão bem assim.
    Trabalha-se muito! Diferente do que a maioria da população pensa.
    Sem contar que 5 (cinco) minutos de atraso gera um desconto terrível no salário.
    E 15 (quinze) minutos de atraso gera meio período de desconto, ou seja, metade do dia trabalhado.
    – Aqui me refiro a atrasos justificados que a chefia não aceitou; como em dias que o ônibus não passa, atrasa, ou o pneu da moto/carro fura…
    Aliás, o que mais tem é gente acima (de cargo superior) que quer mais é ver você na pior – financeira e psicologicamente –
    Mas, se entramos mais cedo ou saímos mais tarde (por estar atendendo à população) – como várias vezes atendi no meu horário de almoço e depois do horário de ir embora (18h) não recebemos nada. Não dá para falar para a pessoa que você está atendendo ” trabalho até às seis da tarde, já passou meu horário. Volte amanhã!” por questão de respeito e educação.
    Infelizmente, nem todos os servidores tratam bem os contribuintes. Vê-se muito os servidores com aquela cara de poucos amigos…

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