É comum ver as pessoas reclamando da rotina, dizendo que não têm tempo para mais nada, sofrendo por não estarem levando a vida que acreditam merecer.

Todos nós queremos encontrar a felicidade. Todos nós queremos ter menos insatisfações. Todos nós desejamos sentir-nos despertos, ter brilho nos olhos, sangue nas veias, tesão em viver.

Conseguir isso é que são outros quinhentos. É preciso construir uma base sólida e treinar-se intencionalmente para atingir tal estado. Mas o que fazemos no dia-a-dia? Um monte de coisas que nos levam exatamente na direção oposta daquela que desejamos.

Para ajudar você a identificar algumas delas, criamos uma despretensiosa lista com dez coisas que nós não deveríamos estar fazendo, mas estamos. Infelizmente estamos.

1. Achar que um dia tudo vai se alinhar

Planetas alinhados.
Tudo pronto, agora vai!

Clássico. Vivemos esperando aquele dia em que vai estar tudo direitinho. Nosso emprego vai estar tranquilo, teremos muito dinheiro no banco, uma saúde perfeita e relacionamentos a mil. Dá até quase para ouvir uma trilha sonora de fundo.

Esse dia obviamente vai chegar assim que… Assim que o que? Você escolhe: assim que você estiver namorando, assim que você acabar a faculdade, assim que você passar em um concurso, assim que você casar, assim que você tiver um filho ou assim que você se aposentar. Opções não faltam e você criará uma nova condição quase imediatamente depois que a anterior for preenchida.

Esqueça, esse dia jamais chegará.

2. Assistir a novelas

Ninguém tem tempo para nada, mas todo mundo sabe o que se passa na novela. Ou no Campeonato Brasileiro de Futebol. Ou no Big Brother.

Colocamos as novelas no título, mas você pode substituir por qualquer outra atividade em que desligamos nossos cérebros e ficamos no “modo zumbi”. Pode ser novela, seriado, futebol, videogame. Qualquer coisa.

Nada contra ver o capítulo da novela hoje à noite. Tudo contra passar sete meses acompanhando uma história que você sabe exatamente como vai terminar, passando cerca de 170 horas em frente à televisão, enquanto sua vida vai passando sem ser vivida direito.

Pense quando você estiver no seu leito de morte e a vida – como bom clichê – passar como um filme na sua mente. Duvido que você vai pensar “ah, eu queria ter assistido mais televisão”. Realmente improvável.

3. Achar que o mundo deve algo a você

Oh, como é injusto esse mundo! Eu, tão especial, não recebo o carinho das pessoas, não recebo o salário que mereço, nasci no lugar errado e ainda tenho que lavar louça. Foda isso!

Como não temos a vida que sonhamos ter, a saída natural é nos colocarmos como vítimas das circunstâncias. Como se o mundo devesse algo para nós, mesmo que nós não estejamos lá oferecendo muita coisa em troca.

Ficamos fechados em nossos mundinhos, pensando em todas as coisas que serão boas para nós mesmos, cuidando das nossas vidas, pensando que somos mais importantes que os demais. Passamos a ver os outros como adversários, gente disputando o mesmo espaço. Geramos com isso tensão e sentimento de desconfiança.

Há uma máxima que diz que “entre eu e os outros, os outros são mais importantes, posto que são muito mais numerosos”. Abra-se para ajudar os outros. Seja gentil. Pratique voluntariado. Trate os outros como você gostaria de ser tratado. Desloque o seu foco de você próprio para os outros. Depois veja como o efeito em sua vida é simplesmente espetacular.

4. Se encher de lixo

O que você comeu hoje? Mandou para dentro cloreto de cálcio, estabilizante polifosfato de sódio e conservante sorbato de potássio? Depois lavou tudo com um copo de água gaseificada, extrato de noz de cola e acidulante INS 338?

Já estamos de saco cheio de ver, ler e ouvir sobre como a comida industrializada pode fazer mal à nossa saúde, mas continuamos nos enchendo de lixo dia após dia. Depois estranhamos nosso corpo cansado, sem energia e sem tesão para fazer o que precisa ser feito.

5. Deixar para depois

Sim, a procrastinação. O assassino silencioso. Aquele que vai matando nossos sonhos, pouco a pouco, bem devagarzinho, de maneira que nem percebemos o que está acontecendo.

Você sabe que tem que começar uma dieta. Você sabe que tem que se organizar no trabalho. Você sabe que tem que reduzir as dívidas. Mas no momento está tão preocupado, cansado, ocupado, que vai deixar para amanhã. Só um chocolate não vai fazer mal. O cliente não percebe os detalhes. Os juros nem são tão altos assim.

Em vez de fazer o que tem que ser feito, vamos deixando para depois. Fazemos planejamentos, mas não chegamos a agir. E, como diria John Lennon quando perguntado sobre o que é a vida: “a vida é aquilo que passa enquanto estamos fazendo planos”.

6. Parcelar podendo comprar à vista

A não ser que você entenda muito de finanças, provavelmente você está jogando dinheiro fora ao realizar compras parceladas. Os juros dos financiamentos quase sempre são superiores aos que você vai conseguir investindo seu dinheirinho.

Além do mais, pagando à vista você tem mais poder para negociar um desconto. E se você acredita mesmo que o preço à vista é igual ao parcelado como o vendedor lhe contou, está precisando estudar o básico de economia. Acorde.

7. Confundir prazer com felicidade

Um chocolate, um orgasmo, uma cerveja, um gol do nosso time. São muitas as coisas que nos dão prazer. E nós vamos atrás delas como se estivéssemos correndo atrás da felicidade.

O problema é que o prazer é instável. Às vezes ele está ali, às vezes não está. Na maioria das vezes, o mesmo objeto que nos dá prazer nos traz um monte de sofrimento.

Como um carro, que nos dá muito prazer quando compramos e saímos dirigindo pela primeira vez, mas muita dor de cabeça quando é batido, roubado, ou quando chega a prestação para pagar.

8. Abrir várias janelas e abas ao mesmo tempo

Quantas janelas e abas você tem abertas no seu computador neste momento? Onde está a sua atenção?

Os computadores são multitarefas, mas os seres humanos funcionam bem melhor focados em uma única atividade. É comum ver alguém com o programa que usa para trabalhar aberto, o Twitter rodando ao fundo, o Facebook em outra tela, música no fone de ouvido. Se brincar ainda tem a televisão ligada.

O conceito não se aplica somente ao computador. Quantas “janelas” com coisas iniciadas e não acabadas você possui na vida? Onde está o seu foco?

9. Arrumar desculpas

Há um motivo bem claro para não estarmos vivendo a vidinha que sempre sonhamos. Não sei qual é, mas tenho certeza que você sabe. Cada um tem sua desculpa, sua justificativa.

Transferimos a culpa para os outros, para os nossos pais, para a falta de dinheiro, para o governo, para o sol quente.

Só não temos a coragem de assumir para nós mesmos que somos os únicos responsáveis pelo jeito como estamos levando a vida. Os únicos.

10. Condicionar felicidade

Scarlett Johansson
E o sujeito pensa: “se ela fosse minha namorada, aí sim…”

Se eu tivesse mais dinheiro, com certeza seria mais feliz. Se eu fosse mais forte. Se eu tivesse nascido em Paris. Se eu namorasse a Scarlett Johansson. Se meu chefe não fosse tão chato.

Não há mais dúvidas entre todos os grandes especialistas no assunto – sejam líderes espirituais ou cientistas metódicos – de que a felicidade é determinada muito mais pelo estado mental do que por acontecimentos externos.

O que fazemos então? Cultivamos uma mente lúcida, livre de condicionamentos? Ou saímos comprando roupas, carros, iPhones, viagens?

Quase todo mundo sai buscando a felicidade em fontes externas. E assim que conseguem o que buscavam, a condicionam à outra coisa. São como hamsters correndo em uma rodinha atrás de algo que nunca vão encontrar. Estão sempre olhando para o lado errado. Para o lado de fora.

Walmar Andrade

Criador do Mude.nu, Walmar Andrade é bacharel em Comunicação Social, com extensão em jornalismo on-line (UFPE), MBA em Planejamento, Gestão e Marketing Digital (FECAP-SP) e Master en Comunicación Empresarial (INSA-Barcelona). Escreve sobre comunicação e marketing digital no blog Fator W.

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