Dieta de Informação é um conceito popularizado por Tim Ferriss há alguns anos que recomenda que limitemos nossa paranoia por estar sempre “antenados”, sempre acompanhando tudo o que sai na TV, nos jornais, nas revistas, no Twitter, no programa da Sônia Abrão etc.

Otimismo é um conceito muito mais antigo e pode ser interpretado como a inclinação para encarar os fatos da vida pelo seu lado positivo e esperar sempre por um final favorável, mesmo em situações complicadas. O otimismo foi bastante popularizado nos livros da personagem Pollyanna Whittier e já é cientificamente comprovado que ele está diretamente ligado à saúde física e mental.

Apresentados os conceitos, vamos à pergunta que move este artigo: Há razões, nos dias de hoje, para sermos otimistas?

Sem base em nenhuma pesquisa, arrisco dizer que a resposta da maioria da população é não.

A justificativa, quase sempre, gira em torno de: trânsito, violência, corrupção, assassinatos, tragédias naturais. Um sentimento de que as coisas nunca foram tão ruins como são hoje.

Dieta de informação

Notícia ruim vende

Uma das primeiras coisas que um jornalista aprende é que notícia ruim ou polêmica vende.

Os veículos de comunicação vivem de publicidade. Quanto mais telespectadores, ouvintes ou leitores o veículo tiver, mais ele poderá cobrar dos anunciantes. Por isso eles são tão cheios de notícias ruins ou polêmicas. O objetivo é vender mais.

O problema é que, sendo essas as nossas fontes de informação, ficamos com a ideia de que estamos vivendo uma era horrível, em que o mundo está se acabando.

Neste caso, não há nenhuma razão para sermos otimistas.

O ser humano nunca viveu tão bem como hoje

A verdade histórica aponta para um outro caminho. O mundo deu um impressionante salto de riqueza a partir do século XIX e continua até os dias atuais.

Se formos investigar tempos passados, veremos que até o século XIX, a maioria da população mundial vivia em condições que hoje consideramos de miséria. A renda per capita média, segundo a historiadora americana Deirdre McCloskey, girava em torno de 3 dólares por dia!

O padrão de vida mesmo das pessoas que hoje consideramos pobres (estamos excluindo aqui os miseráveis) é superior até ao padrão de vida dos chamados ricos que viveram nos séculos anteriores.

A evolução da medicina, nutrição, economia, tecnologia da informação e outras áreas nos dois últimos séculos é sem precedentes na história da humanidade, em termos de velocidade e qualidade.

O detalhe é que, na mesma medida em que evoluíram as diversas áreas do conhecimento humano, também evoluíram nossas exigências. Isso tudo em um intervalo de tempo curtíssimo, do ponto de vista histórico.

Neste caso, há todas as razões para sermos otimistas.

Vendo as coisas como elas são

Empiricamente, é possível dizer que existe uma relação direta entre dieta de informação e otimismo. Quando paramos de acompanhar em sequência as notícias “em tempo real” deixamos de ter contato com uma série de situações de exceção que, pela constância, parecem se tornar regra.

Se você acha o contrário, provavelmente está na armadilha da imprensa. Mesmo em uma cidade violentíssima, a quantidade de vezes que você vai e volta para casa sem ser assaltado é imensamente superior aos dias em que você é roubado. Isso é o que constitui uma situação de exceção.

“A maior decisão que você nunca vai fazer na sua vida é se você vive em um universo amigável ou hostil”, disse certa vez Albert Einstein.

Para quem está 24 horas por dia ligado no que a imprensa noticia, vai ter certeza que o universo é hostil. Um monge budista terá certeza de que o universo é amigável.

A resposta certa, se é que ela existe, não interessa aqui. O que interessa é a percepção que você tiver. É a famosa questão levantada por Luigi Pirandello: assim é se lhe parece.

Experimente por 30 dias

Propomos aqui um desafio de 30 dias.

Afaste-se, por um mês, das notícias.

Não leia jornal, não assista televisão, não escute noticiário no rádio. Não acesse sites de notícias. Se você segue perfis de veículos de comunicação no Twitter, ou mesmo “usuários-jornalistas”, bloqueie-os por um mês. Ou passe um mês sem Twitter. Cancele newsletters de notícias em seu e-mail.

O experimento é verificar se ficar afastado das notícias, entrando na chamada Dieta de Informação, irá afetar sua qualidade de vida. Principalmente, se irá afetar o seu otimismo, a sua percepção da vida.

O principal efeito da Dieta de Informação é liberar tempo. Isso só será positivo se você arrumar o que fazer nesse novo tempo livre criado. Do contrário, você vai é sentir saudade de quando gastava seu tempo acompanhando notícias.

O efeito secundário, porém importantíssimo, é o impacto na forma como vemos o mundo. Emerson já dizia que cada um de nós vê o que está nos nossos corações. Afastando-se da tragédia contínua que a imprensa veicula, talvez o seu coração se abra para os aspectos mais positivos da vida.

Não ficarei desinformado?

Acredite, se um avião com terroristas derrubar o World Trade Center enquanto você estiver em Dieta de Informação, você ficará sabendo. As notícias realmente relevantes acabam chegando até nós.

Você ficará sim desinformado. Não saberá de um monte de coisas que, na realidade, não possuem relevância prática em sua vida. Um ou outro problema pode surgir, mas nada insuperável.

Se você é um jornalista ou alguém cujo trabalho depende diretamente do acompanhamento de notícias, foque-se no essencial e elimine o restante. Um corretor da bolsa precisa sim acompanhar as notícias da área de economia, porém o casamento do Príncipe William ou a última contratação do Flamengo são absolutamente dispensáveis.

Sim, porque acompanhar notícias de celebridades ou de esportes podem afetar tanto o nosso otimismo quanto ler sobre violência urbana e crises econômicas.

As notícias de celebridades, além de inúteis, geram em muita gente um sentimento grande de insatisfação com a própria vida, que não é tão “glamurosa” quanto a da celebridade.

As esportivas, além de causar o mesmo efeito (“Se eu ganhasse como um jogador de futebol, minha vida seria perfeita”), trazem uma proporção de infelicidade bastante desequilibrada. Afinal, é um campeão para cerca de 20 perdedores em um campeonato.

O que determinará se você se tornará um alienado é o que você fará com o seu tempo livre.

Isso não acontecerá se você substituir leitura de notícias inúteis por um curso, por uma série de leituras de livros, por um novo hobby, por um empreendimento, por lazer de qualidade com a família ou amigos.

Isso acontecerá se você ficar esparramado no sofá sem fazer nada.

E aí, vai topar o desafio?

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7 Comentários

  1. Totalmente necessário! @mude_nu : A relação entre otimismo e dieta de informação http://goo.gl/fb/lo3Qi

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  2. RT @ZeusDicas: A relação entre otimismo e dieta de informação: Dieta de Informação é um conceito popularizado por Tim Ferriss h… http://bit.ly/i86Qrd

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  3. A relação entre otimismo e dieta de informação: http://me.lt/9L0xb

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  4. artigo interessante: "A relação entre otimismo e dieta de informação" http://bit.ly/mOIWJX #lifestyle

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  5. Otimismo e Dieta de Informação: a relação direta | mude.nu: http://t.co/9RQtIyE via @AddThis

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  6. Ótimo texto!

    Muito interessante esta ideia de dieta da informação, já que estamos com o cérebro mais que obeso nos dias de hoje, e excesso é causado muitas vezes pelas porcarias que ingerimos.

    Já tentei parar com a televisão e confesso que consegui diminuir bastante, mas ainda não estou livre, então não tenho controle sobre quais aparelhos eletrônicos ficarão ligados, pois não moro sozinho. Mas ao menos já sei que prefiro música e silêncio a ter que ficar escutando barulho de televisão.

    Agora, sobre as notícias que acesso no computador… ainda sou escravo. Tentei vários programas que bloqueiam e/ou controlam conteúdo, mas ainda não consegui fazer que a dieta durasse, acabo voltando a acessar notícias (e baixar informações de mídias variadas) e gastar muito tempo na frente do computador.

    Ler este artigo é mais um passo em direção ao objetivo de ser mais positivo e otimista com a vida, assim como aproveitar melhor o tempo que tenho disponível no meu dia.

    GRANDE ABRAÇO!!!!

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