Quando Bill Everett e Stan Lee lançaram a primeira história em quadrinhos do Demolidor, lá nos idos de 1964, mal imaginavam que o herói cego de Hell’s Kitchen ia passar por tanta coisa dentro e fora dos quadrinhos.

Ao longo dos seus cinquenta anos de vida, Matthew Murdock colecionou aliados, como Karen Page e Foggy Nelson (também personagens na série), e claro inimigos, exemplos do Mercenário e de seu arqui-inimigo Wilson Fisk, vulgo o Rei do Crime.

O sucesso do Demolidor nos quadrinhos (especialmente a fase de Frank Miller) levou a Fox a fazer uma adaptação do herói para os cinemas, em 2003.

Interpretado pelo então canastrão Ben Affleck, o filme teve recepção ruim da crítica, e dos fãs, que esperavam um Demolidor mais parecido com o dos quadrinhos, envolto nos seus dilemas e dramas.

Em 2014 (antes tarde do que nunca), a Disney, detentora dos direitos do Universo Marvel e seus super heróis, anunciou o início das gravações da série Demolidor (Marvel’s Daredevil).

Acordada com a Netflix, a série teve seus 13 capítulos da 1ª temporada lançados no dia 10 de abril de 2015.

Desconstruindo o Demolidor

Demolidor

O modo de lançamento das séries no Netflix tem seus prós e contras, como qualquer outro.

Contra, é que ao lançar todos os episódios na mesma leva a chance e a quantidade de spoilers aumentam consideravelmente. Principalmente para quem gosta de assistir a série com mais calma (meu caso).

A favor, é que quando lançados todos de uma vez as pessoas podem escolher quais episódios ver e principalmente quando, sem ficar preso a horários e dias, muito comuns para quem assiste a séries pela TV.

Mas vamos ao que interessa.

Diferente do fatídico filme de 2003, na adaptação para as telas de 2015, o grande trunfo vai dar mais profundidade aos personagens envolvidos na história, inclusive o próprio Matt Murdock/Demolidor.

Nos episódios da temporada flashbacks mostram a infância de Murdock com seu pai, e de como após sua morte, o menino foi se transformando no paladino mascarado.

Em contrapartida ao herói, um capítulo da série é dedicado a mostrar as origens do Rei do Crime, vilão que é inserido na série de forma sutil e inteligente, demonstrando a importância do Fisk em Hell’s Kitchen.

Coadjuvantes da história, Foggy Nelson, Karen Page e Bem Urich também ganham espaço com tramas paralelas. Mas somente Foggy é abordada de maneira um pouco mais aprofundada, mostrando a origem de sua amizade com o herói.

Presença pouco frequente na temporada de estréia, a enfermeira interpretada por Rosario Dawson, porém, tem sua importância, pois é a primeira aliada do Demolidor, assim como a primeira, a saber, de sua identidade secreta.

Outro personagem que aparece em poucos episódios, mas tem interferência também nas decisões do homem sem medo é o Padre Lantom.

Do lado dos inimigos secundários, o Demolidor encara mafiosos russos, japoneses e chineses, além da polícia corrupta, mas todos ligados ao personagem chave para o herói, o Rei do Crime.

Atuações dignas do Globo de Ouro

Fiz um apanhado de alguns dos principais personagens da série, para que vocês possam entender o contexto dela.

Mas de nada adiantaria tantos envolvidos sem boas atuações.

E as de Charlie Cox (Demolidor) e Vicente D’Onofrio (Wilson Fisk) são sem dúvida dignas de aplausos e prêmios.

Juntos a eles o elenco de apoio é formado por Deborah Ann Woll (Karen Page), Elden Henson (Foggy Nelson), Toby Leonard Moore (James Wesley), Vondie Curtis-Hall (Bem Urich), Bob Gunton (Leland Owlsley) e Ayelet Zurer (Vanessa Marianna), que entregam bem o que lhes foi pedido.

Produção Primorosa

Karen Page, Demolidor

Junto com a atuação destacada do elenco não poderia deixar de falar da produção da série.

Trazendo o clima soturno de um herói que costuma agir na calada da noite, as ruas de Hell’s Kitchen foram palco para muitas lutas do Demolidor.

Umas mais fáceis outras mais sofridas, mas não menos memoráveis como as travadas no episódio da invasão ao refúgio dos russos, no embate do Demolidor contra Nobu, ou nas lutas contra Fisk.

Ao final da temporada, a prisão da rede de Fisk, com a Nessum Dorma, de Luciano Pavarotti tocando ao fundo, me fez lembrar O Poderoso Chefão 2, e a sequência que a família Michael Corleone limpa o nome da família.

Após uma premieré de sucesso, a expectativa para a segunda temporada é obviamente muito grande.

E aproveitando esse frenesi, Marvel e Netflix já confirmaram que a continuação da série em 2016, dessa vez com a presença ilustre do Justiceiro.

Chega logo, 2016!

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Publicado por Diego Ramos

Fã de séries e cinema, Diego Ramos é cearense, jornalista e assessor de comunicação.

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