Já faz algum tempo que iniciei um processo de mudança na minha vida. Um processo onde o querer, o agir e o persistir fizeram-me olhar com mais atenção para algumas coisas simples da vida que eu até então julgava cafona e piegas.

Há alguns meses atrás fiz uma viagem a trabalho para uma pequena cidade dos Estados Unidos chamadas Schaumburg, que localiza-se próxima a Chicago. Nos 15 dias em que passei na cidade – mesmo trabalhando muitas horas por dia sentado em frente ao computador – eu consegui estabelecer uma rotina de exercícios e treinos que consistia em acordar às 06h da manhã e correr aproximadamente 5 milhas, o equivalente a 8Km. Após o treino eu estava pronto e disposto a encarar qualquer jornada de trabalho.

Embora a rotina estivesse funcionando perfeitamente, com o passar dos dias a monotonia causada pela esteira do hotel onde eu estava hospedado começou a me incomodar um pouco. A esteira tinha recursos técnicos maravilhosos, mas definitivamente não era capaz de superar a experiência de respirar o ar puro de uma manhã fria, sentir a umidade do ar, os cheiros característicos do ambiente, o cantar dos pássaros, a visão dos esquilos cruzando a pista de corrida e, claro, a interação com outras pessoas, ainda que apenas sob a forma de um simples “bom dia”.

Foi então que no último dia de minha estadia em Schaumburg eu tomei coragem e resolvi colocar o pé na rua. Vale aqui uma observação importante: a temperatura de quase todas as manhãs girava em torno de incríveis 2 graus Celsius, algo totalmente desencorajador para qualquer corredor que more próximo a Linha do Equador.

Mas mesmo diante do grande desafio imposto pela baixa temperatura eu peguei o carro e dirigi até a reserva de Busse Forest, que fica no centro de Schaumburg.

Busse Forest, Schaumburg, Illinois

A beleza da reserva de Busse Forest

A recompensa

Primeiro impacto: o frio! Segundo impacto: a vegetação e a beleza da Busse Forest!

Fiz um rápido alongamento e comecei a correr. No início o simples ato de respirar é um sofrimento. Respirar no frio de 2 graus queima! Isso mesmo, o ar entra pela boca e pelo nariz e queima. Cinco minutos. Dez minutos. Quinze minutos correndo. A partir desse ponto o sofrimento diminuiu e comecei realmente a sentir todo o ambiente no qual estava inserido.

Entrando na floresta e estando diante de árvores enormes e sem folhas eu comecei a perceber que estava fazendo parte de tudo aquilo e fui tomado por algumas reações espontâneas e involuntárias.

Primeiro comecei simplesmente a sorrir. Não estava acreditando que estava ali, integrado àquele lugar incrível, contemplando, em cada passada, os esquilos que passavam à minha frente, cada pequeno riacho presente no caminho, o contraste do verde da grama com o cinza das imensas árvores e os pássaros e as grandes aves que sobrevoavam a pista sem a menor preocupação. Indescritível tamanha sensação!

Busse Forest, Schaumburg, Illinois

A recompensa!

Lembrei-me imediatamente da narrativa que Jill Bolte fez em seu livro “A cientista que curou seu próprio cérebro”. Nos momentos seguintes ao seu derrame Jill sentiu o ambiente e o seu corpo tornarem-se um só, não sendo mais possível fazer distinção entre um e outro. Se você ficou curioso com o relato da autora assista esse vídeo no TED.com e aprecie esse excelente testemunho.

Durante toda a corrida mantive-me livre de pensamentos fulgazes e involuntariamente focado no que me cercava, não deixando que mais nada importasse a não ser estar presente de corpo e alma, sentido algo que eu não conseguia definir.

Peque carona na onda

Presenteei-me com esta oportunidade de ficar completamente integrado ao ambiente e deixo aqui uma lição que aprendi e desejo compartilhar. Conecte-se e aprecie o ambiente. Respeite-o e ele lhe proporcionará coisas que a princício você pode considerar piegas ou apenas uma “viagem”.

Não importa: simplesmente pegue carona na onda e permita-se sentir coisas que marcarão a sua existência.

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Publicado por undefined

3 Comentários

  1. Conecte-se com a natureza e permita-se sentir coisas que marcarão a sua existência http://goo.gl/fb/mSGP8

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  2. Filho, adorei, muito bom o que você escreveu, coisas simples que não damos valor nem observamos no nosso cotidiano.
    E, imaginar que fui o inicio de tudo, risos.
    Parabens, TE AMO!

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  3. Um relato pessoal sobre conexão com a natureza | mude.nu: http://t.co/VLvfjFF via @AddThis

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