Esta semana estou executando um exercício de quebrar automatismos, proposta pelo Gustavo Gitti. A ideia é fazer coisas diferentes do que estamos habituados, para sair do modo robô e dar uma acordada na vida.
Pensei em diversas opções – até executei várias -, porém uma me instigou em particular: praticar voluntariado, pela primeira vez na vida.
Já li muito sobre os efeitos benéficos da compaixão, até aqui mesmo no mude.nu, mas sempre racionalizava uma desculpa para não agir.
Sempre achava que faltava isso ou aquilo, que o um dia ainda não havia chegado. Nesta semana, decidi que faria diferente.

Dona Diva e eu
Ontem tive minha primeira experiência com o voluntariado. Fui, com um grupo do trabalho, a um asilo de idosos em Brasília chamado Casa do Vovô. A prática era simples: chegar, sentar, conversar, oferecer um lanche, abraçar. Resumindo, estar presente. Nunca algo tão simples pareceu tão difícil.
Não é sobre você

Casa do Vovô, Brasília
Antes da ida, houve uma pequena preparação. Os coordenadores explicaram que alguns idosos já estão bem senis, outros nem conseguem mais conversar. Foi dito que é preciso ter paciência com muitos deles.
Nos primeiros momentos, dá vontade de chorar. De desistir. De fazer o que costumamos fazer sempre: não olhar e, assim, fingir que não existe.
Fui apenas mais um que teve esse tipo de sentimento. Até que me ocorreu o seguinte: isso aqui não é sobre você.
Não interessa se você vai se sentir mal, se você vai querer chorar, se você vai querer desistir. Não é sobre você. É sobre eles.
Como quase sempre acontece na vida, os maiores problemas que nossas mentes enfrentam nunca chegam a existir. Depois de entrar, você começa a conversar com os idosos, abraçá-los, entrar em conversas loucas nas quais se fala uma coisa, se responde outra e a tréplica é sobre um terceiro assunto.
Um momento bem marcante foi quando localizei uma velhinha e achava que ela era do grupo dos que já estavam completamente desligados da realidade. Dona Diva olhava para frente, com o olhar perdido no nada. Foi só eu chegar perto e olhar nos olhos dela que se abriu um sorriso, os olhos tornaram-se vívidos novamente e a conversa engatou. No final, ganhei o mais sincero beijo de agradecimento de toda minha vida.
Pela primeira vez pude comprovar na prática a teoria de que compaixão é a melhor maneira de nos tirar do nosso mundinho egocêntrico, cheio de pequenos probleminhas transformados em monstros por nossa mente inquieta.
O resultado é que decidi fazer do voluntariado o que ele sempre deveria ter sido: uma prática.
Em algum ponto da vida, você vai precisar de alguém para lhe dar suporte
No matter who you are, no matter where you go in life, at some point you go need somebody, to stand by you.
Ser voluntário
20 membros encararam este desafio
Ninguém publicou nada no fórum deste desafio ainda. Que tal você começar?


















Felipe.NS
Não entendo como eu ainda não tinha parado pra analisar que isso deveria ser uma prática constante.
Parabéns pela iniciativa!
castilhano
Parabéns Walmar, principalmente na sua conclusão sobre egocentrismo, percebi que muitas pessoas tecem muitos comentários sobre artigos em que se enxergam, que procuram sempre se ver, mas um artigo como o seu que expõe muitas feridas, ninguém gosta de comentar. Fala-se tanto de coragem, de desafio, mas este é um grande desafio que normalmente fingimos que não é com a gente, sempre achamos um desafio interior mais importante. Mas como você mesmo diz: não é com respeito a você e sim com eles.