De todos os conselhos que se podem dar para quem deseja escrever e publicar um livro, talvez o mais importante deles seja “não passe um dia sequer sem ler um grande autor”.

Grandes escritores são, antes de tudo, grandes leitores. Por mais que se estudem técnicas de redação, português ou gramática, por mais que o escritor seja dotado de um talento natural, ler continua sendo essencial para quem quer escrever bem.

O problema é que muitos de nós não sabemos ler um bom livro como ele deve de fato ser lido. Pensando nisso, o filósofo norte-americano Mortimer Adler (1902-2001) decidiu realizar um meticuloso trabalho para ensinar como as pessoas devem ler os mais diferentes tipos de livros de modo a aproveitar o máximo de cada obra.

Como ler livros – O Guia clássico para a leitura inteligente tornou-se um sucesso quase instantâneo nos Estados Unidos quando foi lançado, em 1940. O livro só foi lançado no Brasil mais de 60 anos depois, por conta de problemas com direitos autorais. O fato é comentado pelo editor José Monir Nasser na palestra abaixo, realizada por ocasião do lançamento do livro em 2010:

Apesar de ser um livro relativamente grande (430 páginas), a leitura sobretudo das primeiras partes é bastante agradável. Ao entrar na parte mais manual de instruções, há muito conteúdo que só precisa ser consultado quando você estiver lendo aquele determinado tipo de livro.

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As regras de Mortimer Adler seguem este roteiro:

I. Análise e estrutura de um livro

  • Classificá-lo de acordo com seu tipo e seu assunto.
  • Expor, com a máxima brevidade, sua constituição.
  • Enumerar as partes principais em sua ordem e relação, e analisá-las como se analisou o todo.
  • Definir o problema ou problema; que o autor está procurando resolver

II. Interpretação do conteúdo de um livro

  • Concordar com o autor, interpretando suas palavras básicas.
  • Compreender as proposições principais do autor, estudando suas sentenças mais importantes.
  • Conhecer os argumentos do autor, descobrindo-os na série de sentenças ou construindo-os fora delas.
  • Indicar que problemas o autor resolveu e que problemas não resolveu; e, quanto aos últimos, ver se o autor reconheceu seu fracasso.

III. Crítica de um livro como transmissão de conhecimentos

1. Máximas Gerais:

  • Não começar a critica, antes de completar a análise e a interpretação. (Não digam que concordam, discordam ou deixam de julgar, antes de poderem dizer “Compreendo”.)
  • Não discordar, como se se estivesse brigando ou disputando.
  • Respeitar a diferença entre o conhecimento e a opinião, apresentando os motivos de qualquer julgamento crítico que se fizer.

2. Critérios Específicos de Observação Crítica:

  • Mostrar em que o autor não está informado.
  • Mostrar em que o autor está mal informado.
  • Mostrar em que o autor é ilógico.
  • Mostrar em que a análise ou concepção do autor é incompleta.

Para cada tipo de livro, há outras instruções específicas. O autor é bem minucioso nas instruções, mas mesmo que você não siga tudo, será capaz de melhorar bastante sua leitura se conseguir absorver um pouco do que Adler tem a ensinar.

Leitura recomendada.

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Publicado por Walmar Andrade

Criador do Mude.nu, Walmar Andrade é bacharel em Comunicação Social, com extensão em jornalismo on-line (UFPE), MBA em Planejamento, Gestão e Marketing Digital (FECAP-SP) e Master en Comunicación Empresarial (INSA-Barcelona). Escreve sobre comunicação e marketing digital no blog Fator W.

1 Comentário

  1. Esta publicação é significativa . Procurei ler o livro e reconheço neste resumo, as partes estratégicas recomendadas pelo autor para uma interpretação textual eficiente!

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