Eu estava feliz. Voltava de um encontro entre brasileiros em Sydney, Austrália. Regado a música brasileira e muitas conversas construtivas. Histórias de luta, sacrifícios e que no final sempre terminava com um “tudo isso valeu a pena”.

Enquanto voltava pra casa, passava pela rua e um rapaz me pediu uns trocados. Conversamos por algum tempo e ele se mostrou muito simpático e humilde. Tomado pela felicidade do encontro de brasileiros e a simpatia do rapaz, resolvi ajudá-lo.

Peguei a carteira e tirei 20 cents.

– 20 cents está bom – falou o rapaz.

– Não, deixa eu pegar um pouco mais – respondi.

Não sei ao certo quanto peguei, mas foi um pouco mais de um dólar. Entreguei a ele, que agradeceu, e sai andando.

Caridade

Passados cerca de duzentos metros, encontrei outro homem, sentado no chão, um pouco mais sujo do que o rapaz que me pedira o dinheiro metros atrás. Ele estendeu a mão e me falou:

– Tome, é pra você.

– Como assim? – perguntei-lhe.

– É pra você. – insistiu ele.

Peguei o dinheiro enquanto falava “tudo bem, obrigado” e saí andando. Ao contar rapidamente, vi que era mais ou menos a mesma quantia que tinha dado ao moço metros atrás. Tudo não se passava de uma brincadeira.

Não sei qual era o objetivo deles, mas percebi que nos metros em que andei desde o primeiro até o segundo rapaz, estava me sentindo mais feliz do que antes.

Aquele sentimento tomou conta de mim. Então queria entregar aquele dinheiro pra primeira pessoa necessitada que encontrasse na rua.

Cheguei à estação de trem e, enquanto passava pelo túnel que dá acesso às catracas, avistei um menino tocando violão. Ele tocava “I’m Yours”, de Jason Mraz.

Ainda com as moedas na mão, passei e as coloquei em cima da capa de seu violão, que estava no chão. Ouvi um breve “obrigado” e segui em frente. Fiquei com sentimento de dever cumprido.

O que tiro dessa experiência é que a caridade pode nos parecer perda de tempo a principio, mas que os benefícios são muito maiores. Aquele dólar não me fez falta, mas certamente ajudou o menino que tocava violão.

Cheguei em casa muito feliz. Não via a hora de ajudar outra pessoa.

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