Praticamente metade da população brasileira está acima do peso e 15% dos brasileiros são obesos. Os dados alarmantes foram publicados nesta segunda-feira (18) pelo Ministério da Saúde.

Muito mais do que uma questão estética, ter 48,1% da população fora de forma é uma questão de saúde pública e também econômica. É sabido que a obesidade é um grande fator de risco para doenças crônicas, que vão desde complicações cardíacas até diabetes.

Como fazer para mudar esse quadro? Aqui no mude temos diversos artigos sobre como se alimentar melhor. Nas bancas de revistas, dezenas de publicações também ensinam como ficar em forma. Dizem inclusive que os brasileiros cultuam o corpo.

O que está dando errado?

Crianças gordas comendo fastfood

Estamos importando a Dieta do Palhaço.

1. Falta educação nutricional

Não somos ensinados sobre como nos alimentarmos bem nas escolas. Temos aulas sobre como se formam os nomes de elementos químicos que nunca veremos, mas não sobre o que colocar no prato na hora do almoço.

O primeiro ponto que deveria ser trabalhado para criarmos uma população mais saudável seria ensinar a essa população sobre como fazer isso. Nenhuma criança aprende na escola sobre proteínas, carboidratos e gorduras. Ninguém ensina o mal que comer açúcar e farinha de trigo refinada causa.

2. Corremos para comer pior

Boa parte dos brasileiros busca a maneira mais prática de comer. Ocorre que, muitas vezes, quanto mais prática for a refeição, menos saudável ela é.

Fast-food, enlatados, lanchinhos prontos, tudo isso é responsável por boa parte dos quilos a mais que metade da população brasileira está carregando.

Não precisa ser assim. As frutas, por exemplo, são tão práticas quanto um lanchinho pronto, mas muita gente se envergonha de comer uma laranja no escritório. Na verdade, deveriam ter vergonha de comer um pacote de biscoitos recheados de açúcar e gordura trans.

3. Comemos carboidratos ruins demais

Observe as prateleiras de um supermercado. Quase tudo o que se vende ali é composto de carboidratos refinados, um veneno que consumimos sem o menor pudor.

Doce, biscoito, bolacha, macarrão, arroz branco, sorvete, refrigerante, açúcar, iogurtes, batatinhas, balas, chicletes, achocolatados, pão branco, farinha de trigo, suco pronto, geleia, cereais matinais, barrinhas. Praticamente tudo o que não é fruta, verdura, carne, legume, cereais integrais, lete, nozes e castanhas em um supermercado é carboidrato refinado.

E qual o problema com os carboidratos refinados?

Os carboidratos refinados são fruto do reducionismo científico que domina o pensamento ocidental há mais de 150 anos. Eles são o resultado de um processo de refino, geralmente de uma planta.

Essa planta (trigo, cana, batata etc.) é submetida a diversos processos mecânico e químicos, que vão desde esmagamento e cortes até ataques com ácidos. O objetivo é retirar tudo (casca, fibra, semente, micronutrientes) e refinar até deixar apenas a essência, o carboidrato puro.

Quando ingerimos esses alimentos, estamos comendo diretamente o carboidrato. É muito diferente de comer um alimento integral, que vem com as fibras que retardam o processo de digestão e ajudam na absorção dos nutrientes, muito mais presentes no alimento integral.

Um vez ingerido, o carboidrato refinado transforma-se em glicose direto na corrente sanguínea. Nosso pâncreas então jorra insulina no organismo para baixar os níveis de glicose, já que jamais usaremos aquela energia toda de uma vez. E como o corpo guarda reservas de energia? Em forma de gordura.

O carboidrato refinado é ótimo para a indústria da alimentação. Esses pós não estragam com facilidade, simplesmente porque nenhuma bactéria ou inseto se interessa em consumir algo sem qualquer nutriente. É possível fazer centenas de tipos de alimentos com ele, guardar em uma caixa ou em uma lata e vender para o outro lado do mundo ou manter por meses (às vezes até anos!) na prateleira sem estragar.

De outro lado, veja como uma maçã estraga rapidinho depois de aberta. As bactérias e insetos parecem ser mais sábios que nós humanos quando o assunto é se alimentar.

4. Comemos vegetais de menos

Um outro ponto negativo dos carboidratos industrializados é que eles tomaram o lugar da comida de verdade nos nossos pratos. Cada vez comemos menos frutas, verduras, legumes, leguminosas e grãos integrais.

Observe uma pessoa que acha que se alimenta bem. Ela começa o dia com cereal matinal no leite, pão com manteiga e um leite com chocolate e açúcar. Lancha uma barrinha de cereal. Almoça carne, arroz branco e batata-frita, junto com um copo de suco com açúcar. Lancha à tarde um sanduíche de queijo. E janta uma macarronada com salsicha e um copinho de refrigerante.

Nesse exemplo simples, todos os carboidratos consumidos foram refinados. Não houve consumo de nenhum vegetal integral.

Os vegetais integrais (de preferência frescos) são as melhores fontes de nutrientes que temos. Além disso, eles possuem muitas fibras, que auxiliam na absorção desses nutrientes e facilitam o processo digestivo.

Por que comemos tão poucos vegetais hoje em dia? Porque não dá para lucrar muito em cima deles. Você já viu comercial de maçã ou banana? Não dá resultado vender alfaces dentro de caixas coloridas com um personagem-mascote recomendando o consumo.

5. Estamos cada vez mais sedentários

A tecnologia facilitou tanto a nossa vida que praticamente não nos movemos mais para nada, se não quisermos. O carro nos leva para todos os cantos. O computador nos traz tudo o que precisamos. O controle remoto muda o canal da TV sem precisarmos levantar.

Cada vez temos mais facilidades. Consequentemente, cada vez menos temos esforço físico a realizar. Isso aliado a uma dieta completamente equivocada só pode resultar em gordura e doenças.

6. Focamos em dietas em vez de reeducação alimentar

Muita gente que está acima do peso procura perder os quilos a mais através de dietas restritivas. Embora muitas delas funcionem, estamos cansados de ver pesquisas mostrando que a maioria dessas pessoas ganha novamente tudo o que perdeu, às vezes até mais.

Isso acontece porque pouca gente consegue manter-se em uma dieta restritiva por muito tempo. Logo, voltam ao padrão alimentar anterior e engordam tudo novamente.

Quem quer manter-se no peso por toda a vida alimentando-se corretamente deve procurar a orientação de um nutricionista especializado e estudar um pouco sobre o assunto. É bastante simples alimentar-se bem quando se entende um pouco sobre os macro e micro nutrientes e como eles agem no nosso corpo. Na verdade, alimentar-se bem é mais simples do que alimentar-se mal.

Por onde começar?

Se você quer começar a se alimentar bem, deve procurar um nutricionista e estudar um pouco por conta própria.

Como recomendação, o melhor livro para quem quer começar a entender melhor sobre nutrição chama-se Regras da Comida – Um Manual de Sabedoria Alimentar, de Michael Pollan.

Regras da Comida, livro de Michael Pollan

Regras da Comida, livro de Michael Pollan

Nesse livro, o autor explica sem nenhum tecnicismo como os alimentos funcionam, listando 64 regras muito simples para se alimentar bem. O mantra do livro é “Coma comida, não muita, na maioria plantas”.

Coma comida parece ser o principal ponto. A regra de Pollan no livro é: não coma nada que a sua avó não reconheceria como comida. Outra: não coma nada que você veja anunciado na televisão.

O livro é curtinho, custa menos de R$ 20 e vale cada centavo. Seria um bom manual para o Ministério da Saúde colocar nas escolas para diminuir o percentual de brasileiros acima do peso divulgado hoje.

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2 Comentários

  1. Belo post. Será meu próximo livro! Vale a dica (principalmente) para quem tem filhos. Nao podemos ser irresponsaveis!!

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  2. Metade dos brasileiros estão gordos e 15% obesos | mude.nu http://t.co/Zpiu2pO via @AddThis

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