Em meados de 2014, eu e a equipe do Mude.nu passamos por cinco países europeus no primeiro Mochilão do Mude.nu. Desde antes da viagem, combinamos as três regras: sem malas, sem restaurantes, sem hotéis. Esta última regra só foi possível graças ao Airbnb.

A ideia era cada um levar apenas uma pequena mochila nas costas para as duas semanas de viagem e ficarmos em apartamentos alugados por locais. Pegaríamos algumas diárias em cada cidade (Berlim, Praga, Viena e Bruxelas) e lá mesmo no apartamento faríamos nossa comida. Ou, quando estivéssemos na rua, comeríamos em lanchonetes ou barracas de rua.

Foi a primeira vez que utilizei o Airbnb e, de cara, já o elegi como ferramenta essencial para minhas próximas viagens. Tirando o “checkin”, só existe vantagem em tudo o que o site oferece.

Funciona da seguinte maneira: pessoas de todo o mundo colocam seus apartamentos (ou partes de seu apartamento) para alugar no site. Outras pessoas que queiram viajar para essas cidades alugam os espaços. Depois, elas deixam suas opiniões sobre a estadia.

Airbnb Berlim

Nosso apartamento em Berlim. (Clique nas fotos dos apartamentos para ver os detalhes no Airbnb)

Com o sistema montado, você vê não apenas as fotos, localização e dados do apartamento. Isso é ótimo, mas sabemos que pode ser bastante “maquiado” pelo proprietário.

O que não pode ser disfarçado, e aqui entra o grande mérito do Airbnb, são as opiniões das outras pessoas. A administração do site é rigorosa em banir proprietários que não atendam a um padrão mínimo de qualidade.

Com isso, fica mais fácil encontrar excelentes hospedagens por apenas uma fração do que você pagaria em um hotel.

E você ainda tem a vantagem de ter uma cozinha à disposição para preparar suas refeições; máquina de lavar ou tanque para dar uma geral nas suas roupas; e principalmente a experiência de passar um tempo em uma casa real, sem aquele ambiente preparado (ou até mesmo artificial) dos hotéis.

Airbnb Praga

Apartamento onde ficamos em Praga.

Em todos os apartamentos que ficamos durante o mochilão, encontramos exatamente aquilo que esperávamos. As fotos e descrições no site batiam completamente com a realidade. E todos os proprietários foram bastante gentis em nos darem dicas sobre a cidade e sobre o que fazer nas redondezas do apartamento.

Pagando cerca de um terço do que pagaríamos em um hotel, conseguimos passar mais dias do que o pretendido e fazer mais passeios sem estourar o orçamento. Tudo por conta de uma simples ideia bem executada…

A ideia do Airbnb

Airbnb Bruxelas

Duplex onde ficamos em Bruxelas, por um terço do que pagaríamos em um hotel.

Em 2008, dois amigos que haviam se mudado para San Francisco, Califórnia, pensaram em maneiras de baratear a hospedagem na cidade oferecendo apenas um colchão inflável (Airbed) e café da manhã (breakfast). Surgiu assim o Airbed and breakfast.com ou, reduzindo, AirbNb.

San Francisco é uma das cidades mais caras para se viver nos Estados Unidos, unindo os altos impostos da Califórnia com pouco espaço disponível para moradia, além da alta demanda de pessoas de todo o mundo que querem lá viver.

Brian Chesky e Joe Gebbi eram colegas de quarto que sofriam com essa situação até terem a ideia de criar o site de hospedagem. Para financiar a iniciativa, venderam caixas de cereais com a cara dos então candidatos a presidente dos EUA, Barack Obama e John McCain.

Com algum dinheiro em caixa, colocaram o site para rodar e logo o Airbnb virou sucesso nos Estados Unidos. Recebeu investimento de empresas de capital de risco e hoje oferece mais de 800 mil apartamentos em cerca de 200 países, incluindo o Brasil.

O grande mérito do Airbnb em comparação com sites similares é priorizar o caráter social no relacionamento entre proprietários e locatários e cuidar para que tanto os anúncios quanto as propriedades mantenham determinado padrão de qualidade.

Para se ter uma ideia da preocupação do site com isso, não é incomum que nas principais cidades haja um fotógrafo oficial do Airbnb que vai aos apartamentos ajudar o proprietário a tirar boas fotos, que mostrem aos interessados no aluguel o que eles realmente querem saber.

As desvantagens do Airbnb

Nossa melhor escolha foi esse apartamento em Viena: em cima de um supermercado e em frente a uma estação de metrô.

Nossa melhor escolha foi esse apartamento em Viena: em cima de um supermercado e em frente a uma estação de metrô.

Claro que nem tudo são flores. Você pode dar o azar de pegar um proprietário rude, ou um apartamento que não bate com o que estava anunciado. Mas, convenhamos, isso também pode acontecer com o hotel que você escolher pela internet.

Quando você escolhe um hotel ao qual nunca foi, como minimiza suas chances de erro? Perguntando a outras pessoas que já se hospedaram lá.

É isso que você também deve fazer no Airbnb para não cair em uma cilada na hora de alugar um quarto ou apartamento.

Durante a viagem, como citei, o único problema que tivemos nas cinco cidades pelas quais passamos foi no momento do “checkin”, ou seja, na hora de pegar a chave com o proprietário.

Por exemplo, em Berlim o proprietário ficou esperando que nós ligássemos, enquanto nós havíamos entendido que ele estaria no local. Acabamos passando mais ou menos uma hora na calçada esperando ele chegar.

Berlim

Na calçada de Berlim, esperando o proprietário chegar…

Em Praga, chegamos antes da hora e a proprietária estava no trabalho, então tivemos que esperar o horário de expediente terminar para encontrar com ela.

Em Viena, a chave havia sido deixada em um restaurante, pois o proprietário estava viajando. Só que quando chegamos o restaurante ainda não estava aberto e tivemos que localizar o dono.

O segredo aqui é encarar também isso como parte da viagem, explorando as possibilidades de comunicação com estrangeiros e como se locomover e encontrar coisas na cidade.

Obviamente não é tão confortável quanto chegar a um hotel e ter tudo prontinho para você, mas diante das inúmeras vantagens, vale muito a pena usar o Airbnb para se hospedar.

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Publicado por Walmar Andrade

Criador do Mude.nu, Walmar Andrade é bacharel em Comunicação Social, com extensão em jornalismo on-line (UFPE), MBA em Planejamento, Gestão e Marketing Digital (FECAP-SP) e Master en Comunicación Empresarial (INSA-Barcelona). Escreve sobre comunicação e marketing digital no blog Fator W.

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