Produtividade é uma tema fascinante. Incorporar técnicas para produzir seu trabalho e suas atividades diárias de forma mais efetiva pode fazer você deslanchar na carreira e melhorar sua vida. Por outro lado, também pode fazer você cair na armadilha de só dar atenção às atividades mundanas.

O livro Taming the Mind afirma que ocupar nossa cabeça apenas com atividades mundanas é um tipo de preguiça, por que negligenciamos o autoconhecimento. Com agendas completamente lotadas, passamos os dias correndo para lá e para cá, com um telefone pendurado na orelha.

O resultado é uma percepção equivocada de que não temos tempo para mais nada. E assim as coisas realmente importantes – amigos, família, sonhos, compaixão, altruísmo – ficam sendo relegadas a segundo plano, sem nunca receber a prioridade que merecem.

Como é possível que sempre tenhamos tempo para checar o Twitter, mas nunca temos tempo para praticar um voluntariado? Como comparecemos aos eventos todos da firma, mas chegamos atrasados no aniversário dos nossos próprios filhos? Por que buscamos uma produtividade pessoal que acaba atrapalhando o objetivo inicial, que deveria ser nos aperfeiçoar para o benefício dos outros?

Admiral Ackbar e sua famosa frase It's a trap!

O Caminho do Meio

Numa época em que as pessoas se dedicavam ou totalmente ao hedonismo (aproveitar ao máximo os prazeres dos sentidos) ou ao ascetismo (evitar todos os prazeres mundanos), Aristóteles percebeu que na verdade a virtude estava no caminho do meio.

A ideia da justa medida de Aristóteles pode facilmente ser aplicada para que você não caia na armadilha da produtividade. Para ver como você está, avalie se seus esforços estão concentrados nas oito preocupações mundanas listadas pelo budismo:

  • Esperar por elogios e ter medo de críticas
  • Desejar a vitória e fugir da derrota
  • Buscar a notoriedade e evitar o esquecimento
  • Ansiar pelo prazer e rejeitar a dor

Se todos os seus esforços estão concentrados nessa área, não vai restar espaço para mais nada. Você estará preso na armadilha da produtividade, produzindo mais e mais, porém aproveitando apenas uma pequena parte da vida.

Procure ser uma pessoa de valor, em vez de ser uma pessoa de sucesso

A frase acima é de Albert Einstein. Gênio, ele logo percebeu que ter o sucesso profissional como meta de vida é uma visão muito fragmentada de tudo o que o universo pode nos oferecer.

Ser uma pessoa bem sucedida é relativamente simples, pois já existem dezenas de opções para modelar pessoas que conseguiram isso. O problema é que este não parece ser um estilo de vida que traga muita felicidade quando focamos apenas no sucesso pessoal.

O autocentramento nos impede de abandonar a visão dualista do mundo, a ideia de que somos “nós” ou “os outros”.

A solução, então, é ser produtivo sim, mas não deixar isso tomar todo o espaço da sua vida. Se tudo estiver tomado, você nunca vai ter um espaço vazio para fazer crescer sentimentos que realmente importam, como equanimidade, compaixão e altruísmo.

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1 Comentário

  1. Produtividade versus qualidade de vida: ser um realizador não basta | mude.nu: http://t.co/jRErSPF via @AddThis

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